Mais otimista, OCDE revê em alta crescimento da economia da zona euro para 1,2% este ano

OCDE cortou para 3,2% a estimativa do crescimento da economia global este ano. No entanto, revê em alta as previsões sobre a expansão da economia da zona euro, que deverá ser suportada pelo consumo privado, ainda que a incerteza política, a fraca procura externa e a baixa confiança empresarial continuem a pesar.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em baixa ligeira o crescimento da economia mundial para 3,2% este ano, menos uma décima do que na previsão de março. A instituição liderada por Ángel Gurría está, no entanto, mais otimista sobre o desempenho da economia da zona euro e vê agora o PIB a expandir 1,2%, mais duas décimas do que no último relatório.

No “Economic Outlook”, divulgado esta terça-feira, a OCDE mantém a estimativa de crescimento global do próximo ano em 3,4% e revê em alta a da zona euro para 1,4%, quando no anterior relatório estimava 1,2%.

“Espera-se que o crescimento económico permaneça moderado, devido à fraca procura externa e à baixa confiança dos empresários, o que pesa sobre o investimento privado”, antecipa a OCDE sobre a zona euro, acrescentando que “o consumo privado irá apoiar de forma moderada a actividade económica, sustentado por um mercado de trabalho robusto, com o desemprego a diminuir ligeiramente mais e o crescimento salarial a aumentar moderadamente”.

Sobre a economia global, a instituição liderada por Ángel Gurría refere que “o balanço dos riscos continua a ser descendente, com os resultados do crescimento a serem potencialmente mais fracos se riscos negativos se materializarem ou interajam”.

Identifica como principais riscos um período prolongado de taxas alfandegárias elevadas no comércio entre os Estados Unidos e a China, a criação de novas taxas entre os Estados Unidos e a União Europeia, que a política de estímulo à economia chinesa não seja bem sucedida, a incerteza em torno do Brexit e as vulnerabilidades financeiras relativas aos altos níveis de dívida e deterioração da qualidade do crédito.

“No lado descendente, ações decisivas pelos decisores para reduzir a incerteza em torno da política e fortalecer as perspectivas de crescimento de médio prazo, incluindo medidas que reduzem as barreiras ao comércio, aumentariam a confiança e o investimento em todo o mundo”, sublinha a instituição com sede em Paris.

Crescimento do comércio global deverá desacelerar para 2,1% este ano

A OCDE prevê ainda que o crescimento do comércio mundial desacelere para 2,1% este ano, mas volte a recuperar para 3% em 2020, fixando-se, no entanto, ainda assim abaixo dos 3,9% registados em 2018.

“Neste ritmo, a intensidade do comércio não só permanecerá fraca face a padrões pré-crise, mas estará abaixo do ritmo médio alcançado em 2012-18”, refere a instituição liderada por Ángel Gurría. Apesar de sublinhar que o desacelerar do crescimento do comércio se fará sentir em todas as economias, destaca que as principais contribuições chegarão da Ásia e da América do Norte.

Fonte: OCDE
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