Menos de 42% dos venezuelanos votaram nas eleições de ontem

A oposição já tinha dito que as eleições de domingo tinham sido um fracasso. O regime de Maduro diz o contrário, mas os números são o que são: nem sequer metade dos venezuelanos quis ter a ver com a nova assembleia nacional constituinte.

Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Ler mais

A presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) venezuelana, Tibisay Lucena Ramirez, informou que a participação nas eleições para a assembleia nacional constituinte foi de “41,53% do censo eleitoral, resultando em 8 milhões de 89 mil e 320 pessoas”.

“O saldo é extremamente positivo, porque a paz ganhou e ganhou a Venezuela. Apesar da violência e apesar das ameaças, os venezuelanos expressaram a sua opinião”, frisou. A oposição está em total desacordo: ontem ainda, um dos líderes da MUD (Mesa de Unidade Democrática) e vice-presidente do parlamento, Freddy Guevara, afirmou, citado por vários jornais do país, que as eleições de domingo foram um completo fracasso. Tanto mais, porque nem sequer 50% dos votantes se deu ao trabalho de votar.

A Venezuela mantém-se assim num impasse – que todos os analistas antecipavam: a nova constituinte não parece ter legitimidade democrática, mas o certo é que o presidente do país, Nicolás Maduro, a vai colocar em funcionamento.

Mais que certo é também que a oposição vai continuar a opor-se a tudo aquilo que emanar daquele órgão de poder, que não reconhece. Neste quadro, é impossível que o diálogo e a paz nas ruas – onde, durante o fim-de-semana, morreram mais dois manifestantes – estejas asseguradas ou em vias disso.

A questão que se coloca agora – e que a própria oposição tem avançado – é saber-se até que ponto Nicolás Maduro vai usar a nova constituinte para alterar a Constituição do país, no sentido de perpetuar a sua presença à frente dos destinos do país.

O que de imediato se deverá seguir –a acreditar nos avisos lançados nas últimas semanas – será a imposição de sansões ao país, de onde resultarão mais dificuldades para a população, uma vez que parte delas são de caráter económico. A imposição de impedimentos à compra de petróleo venezuelano, por exemplo, vai aprofundar ainda mais a grave crise económica em que o país caiu desde há pelo menos dois anos.

Os analistas também questionam se a violência nas ruas vai ou não continuar, ao cabo de mais de cem dias de distúrbios, que provocaram mais de cem mortos. Mas o mais certo é que a oposição vai pedir aos seus apoiantes que mantenham a pressão nas ruas, no sentido de dar a entender ao regime que as eleições de ontem não mudaram nada.

Relacionadas

Venezuela: Leitor eletrónico recusa cartão de cidadão de Maduro. “Esta pessoa não existe”

A intenção era mostrar ao povo venezuelano como funcionava o sistema de identificação nas eleições para a Assembleia Constituinte e incentivar outros a irem votar também. Mas o momento não saiu como o presidente da Venezuela esperava.

Oposição da Venezuela classifica de ‘fracasso’ a participação nas eleições

Freddy Guevara, primeiro vice-presidente do parlamento e representante da oposição ao Governo de Nicolás Maduro, revelou aos jornalistas que o processo fracassou. Contudo, o executivo falou de uma adesão maciça dos venezuelanos ao ato eleitoral.

“Quis ser o primeiro voto pela paz”: Voto de Maduro abre eleição

Assembleia Nacional Constituinte é criticada por vários governos, que pediram a Maduro para suspender a eleição. Um dos principais pontos questionados é a falta de um referendo prévio para autorizar o processo, um requisito adotado em 1999, quando a Carta Magna da Venezuela foi redigida e sancionada.

“Maioria dos portugueses quer permanecer no país”

Missões do Ministério estão a percorrer 10 mil quilómetros na Venezuela para chegar a todos os portugueses que aí vivem.

Situação dos emigrantes na Venezuela mobiliza governo central e regional

Sérgio Marques chefia a comitiva do Governo Regional que reúne, esta tarde, com o ministro dos Negócios Estrangeiros para debater o modelo de apoio aos cerca de 4 mil luso descendentes regressados da Venezuela.
Recomendadas

China chama embaixador dos EUA após sanções impostas contra o Exército

Em causa estão a sanções impostas pelo Governo norte-americano ao Equipment Development Department (EDD), responsável pelas armas e equipamentos do exército chinês, e ao seu diretor, Li Shangfu, por ter comprado armamento à empresa Rosoboronexport, exportadora russa de armamento, que já havia sido sancionada por Washington.

Marcelo Rebelo de Sousa reúne-se com Guterres no domingo e discursa quarta-feira na ONU

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai encontrar-se com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, no domingo, em Nova Iorque, onde irá discursar na 73.ª sessão da Assembleia Geral desta organização, na quarta-feira.

OPEP reduz produção de petróleo face à queda da oferta iraniana devido às sanções dos EUA

Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) baixou a produção de petróleo no mês de agosto, já que as medidas norte-americanas arruinaram a tentativa de elevar a produção para os níveis acordados.
Comentários