Presidente de Cabo Verde pede a Portugal fim de vistos para cabo-verdianos

Jorge Carlos Fonseca desafiou Portugal a abolir os vistos para os cabo-verdianos e pediu apoio para a comunidade residente em São Tomé e Príncipe e que está a viver numa situação “muito difícil”.

António Cotrim / Lusa

O Presidente da República de Cabo Verde desafiou esta segunda-feira Portugal a abolir os vistos para os cabo-verdianos e pediu apoio para a comunidade residente em São Tomé e Príncipe e que está a viver numa situação “muito difícil”.

Durante o discurso oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que decorrem na Escola Portuguesa de Cabo Verde (EPCV), na cidade da Praia, Jorge Carlos Fonseca sublinhou a excelência das relações entre os dois países.

Perante uma audiência de largas dezenas de portugueses e cabo-verdianos, o chefe de Estado de Cabo Verde recordou que recentemente foi abordado por um jornalista português que, perante os adjetivos que usou para caracterizar a relação entre os dois países, tentou saber o que poderia ser uma mais-valia para essa ligação.

O chefe de Estado cabo-verdiano acabou por concordar e destacou a aposta de Cabo Verde – que atualmente tem a presidência rotativa da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) – na mobilidade entre os países lusófonos.

“Para nós, e sempre o disse antes de ser Presidente da República, a CPLP nunca será uma comunidade de povos e cidadãos se não houver a possibilidade de circulação destes povos sem a necessidade dos vistos”, adiantou.

Jorge Carlos Fonseca adiantou que “Portugal está tão apostado” como Cabo Verde nesta mobilidade.

E partilhou com a audiência o que disse ao jornalista que o interpelou: “Se Cabo Verde aboliu os vistos para os cidadãos da União Europeia, porque não um acordo entre Portugal e Cabo Verde?”.

“Sabemos que não é fácil. Sabemos que a proposta portuguesa resulta de uma ginástica legal, mas convencional, por pertencer à União Europeia. Mas sabemos que, com vontade política, criatividade e imaginação sempre podemos chegar às soluções que correspondem aos nossos anseios”, prosseguiu.

Outra medida que, na opinião de Jorge Carlos Fonseca, poderia aproximar ainda mais os dois povos seria um acordo para Portugal e Cabo Verde, juntamente com São Tomé e Príncipe, arranjarem “uma solução para a dolorosa situação para muitos cabo-verdianos que foram para São Tomé e Príncipe nos anos 1960 e se encontram numa situação social muito difícil”.

O chefe de Estado cabo-verdiano, que participou nas comemorações do 10 de Junho em Portalegre, disse que a escolha de Cabo Verde para parte das comemorações do 10 de Junho “traduz um relacionamento entre dois países, entre dois Estados, mas sobretudo entre dois povos, que é particular, é especial”.

“É como se nós partilhássemos os nossos percursos, os nossos valores e quiçá as nossas almas”, adiantou.

Jorge Carlos Fonseca confessou ainda que viveu uma grande sensação ao assistir um pelotão das Forças Armadas cabo-verdianas a desfilar juntamente com as Forças Armadas portuguesas em Portalegre, nas cerimónias oficiais do 10 de Junho.

As cerimónias do Dia de Portugal prosseguem na terça-feira no Mindelo, ilha de São Vicente.

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“A partir deste momento, as comemorações são em Cabo Verde”, disse Jorge Carlos Fonseca, à chegada à Cidade da Praia.

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Num discurso um pouco mais longo do que tem feito nestas cerimónias, o chefe de Estado, durante cerca de 15 minutos, falou sobre múltiplos casos de sucesso de portugueses no mundo, muitos dos quais são desconhecidos por parte da generalidade dos cidadãos nacionais.
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