Qual o impacto do Brexit na economia portuguesa? Quebra superior a 20% nas exportações, prevê estudo da CIP

“Na melhor das hipóteses, esse estudo aponta para uma quebra entre 15% a 23%, se correr bem ou se correr mal obviamente. E é isso que nos deve inquietar e encontrar a melhor maneira para defendermos as nossas posições no Conselho Europeu”, reforçou António Saraiva.

Aly Song/Reuters

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal anunciou hoje que terá este mês um estudo sobre os efeitos do ‘Brexit’ na economia portuguesa, análise que “na melhor das hipóteses” aponta para uma quebra entre 15% a 23% nas exportações.

A informação foi avançada pelo presidente da CIP, António Saraiva, que falava no final da reunião plenária da Comissão Permanente de Concertação Social, que foi presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, e dedicada em exclusivo à discussão do Conselho Europeu de quarta-feira, da Cimeira do Euro e do ‘Brexit’ (processo de saída do Reino Unido da União Europeia).

“A CIP está a concluir um estudo que apresentará publicamente no próximo dia 31 (de outubro) onde se pode vislumbrar os efeitos que o ‘Brexit’ terá para a economia portuguesa, nomeadamente para as exportações e para aqueles setores que serão inevitavelmente mais afetados, a moda, a química, o turismo, a indústria conserveira”, disse o representante, em declarações aos jornalistas, à saída da reunião.

“Na melhor das hipóteses, esse estudo aponta para uma quebra entre 15% a 23%, se correr bem ou se correr mal obviamente. E é isso que nos deve inquietar e encontrar a melhor maneira para defendermos as nossas posições no Conselho Europeu”, reforçou António Saraiva.

Confrontado com estas previsões da CIP, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, que também participou na reunião de hoje, admitiu que seria “um dado catastrófico se fosse verdadeiro”.

“Mas vamos relativizar. O que o estudo encomendado pela CIP prevê é que, dependendo dos cenários, a quebra nas exportações portuguesas para o Reino Unido possa ser superior a 20%. Esse dado é um dado negativo que é preciso contrariar”, frisou o chefe da diplomacia portuguesa.

Santos Silva destacou, porém, que as exportações portuguesas para o Reino Unido valem 6% do conjunto das exportações, valores que representam “décimas de unidade de Produto Interno Bruto (PIB)”.

“Contudo, esse impacto deve ser mitigado e deve ser corrigido”, realçou.

As negociações entre o Reino Unido e a UE chegaram a um novo impasse neste fim de semana, dois dias antes do início, na quarta-feira, de um Conselho Europeu dedicado ao tema, devido à questão da fronteira entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

O Reino Unido vai deixar a UE em 29 de março de 2019, dois anos após o lançamento oficial do processo de saída, e quase três anos depois do referendo de 23 de junho de 2016 que viu 52% dos britânicos votarem a favor do ‘Brexit’.

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