Reformas e FMI só vão ajudar Angola a médio prazo, defende S&P

O analista da Standard & Poor’s que segue Angola disse que o impacto do programa com o FMI só vai ter efeito a médio prazo, explicando que agora a economia enfrenta dificuldades que justificam uma Previsão de Evolução Negativa.

O analista da Standard & Poor’s que segue Angola disse que o impacto do programa com o FMI só vai ter efeito a médio prazo, explicando que agora a economia enfrenta dificuldades que justificam uma Previsão de Evolução Negativa.

“Angola tem problemas sistemáticos e que tiveram um forte impacto no ano passado, como o preço baixo do petróleo, as dificuldades de produção dos blocos petrolíferos, tudo desaguou nesta grande recessão, mas é verdade que, ao mesmo tempo, há uma mudança positiva que equilibra estes fatores negativos, mas cujos efeitos só vão sentir-se mais à frente, dentro de alguns anos”, explicou Ravi Bathia.

Em declarações à Lusa no dia seguinte a esta agência de ‘rating’ ter piorado a Perspetiva de Evolução da economia, de Estável para Negativa, Ravi Bathia sublinhou que a acumulação de dívida pública é um dos maiores problemas do país.

“Neste momento os fatores negativos tiveram um impacto muito forte, e com a liberalização da taxa de câmbio, já vimos um grande aumento da dívida pública em percentagem do PIB, e como muita dessa dívida é em moeda externa, os rácios dispararam, e o nível é muito alto”, disse o analista responsável por Angola, que é também um dos diretores do departamento de análise de crédito soberano.

Na segunda-feira, a S&P anunciou que tinha baixado o ‘Outlook’ de Angola, mantendo o país abaixo do nível de recomendação de investimento, ou ‘junk’, como é geralmente conhecido.

Questionado sobre a razão de esperar um desenvolvimento positivo na economia nos próximos anos e, ao mesmo tempo, descer a Perspetiva de Evolução da economia, Bathia explicou que é uma questão de tempo e acrescentou que as medidas negociadas com o Fundo Monetário Internacional ao abrigo do programa de ajuda financeira no valor de 3,7 mil milhões de dólares vão demorar tempo a surtir efeito.

“Há um ímpeto muito positivo de reformas, como na área da concorrência, separar a Sonangol das concessões petrolíferas, o que é um desenvolvimento positivo, e o FMI deverá ajudar nas reformas positivas, ajudando a médio prazo, mas infelizmente Angola foi muito atingida pela descida dos preços do petróleo e pela falta de aposta e investimento nos blocos petrolíferos”, disse o analista na entrevista telefónica à Lusa.

“Em resumo, volume de dívida disparou”, concluiu o analista, sublinhando que só as dívidas atrasadas representam 4% do PIB, e alertando para a existência de uma dívida de 2,1 mil milhões de dólares que Angola deve a um banco comercial, mas sobre a qual não existe informação disponível, “talvez por haver um acordo de confidencialidade”.

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