TAP concretiza maior operação em Bolsa desde 2012 no valor de 200 milhões de euros

A dona da companhia aérea nacional divulgou esta quarta-feira à tarde os resultados da oferta pública de subscrição das “Obrigações TAP 2019-2023”. O Jornal Económico sabe que a TAP quer captar mais 350 a 400 milhões de euros em futura abertura de capital.

A TAP concretizou esta quarta-feira a maior operação em Bolsa desde 2012 no valor de 200 milhões de euros. Mais de 50% da operação – na qual estiveram envolvidos 6.092 investidores – foi feita por captação de investidores particulares, o que mostra o interesse que a emissão suscitou junto dos investidores em geral.

O investimento médio dos particulares é de 20 mil euros por investidor, e a maturidade da dívida passa de oito meses para quatro anos e seis meses. A procura superou em 8,12 vezes o montante inicial em oferta no segmento geral.

Abertura de capital: 350 a 400 milhões de euros

O Jornal Económico sabe que a TAP quer captar mais 350 a 400 milhões de euros em futura abertura de capital, ficando numa situação “confortável” após a abertura. O Estado poderá acompanhar esta operação, salvaguardando a posição que detém no capital social.

A transportadora aérea nacional divulgou esta esta tarde os resultados da oferta pública de subscrição das “Obrigações TAP 2019-2023”, numa sessão especial na sede da Euronext Lisbon, na Avenida da Liberdade.

O prazo de subscrição ao empréstimo obrigacionista lançado pela TAP, dona da companhia aérea TAP Air Portugal, terminou às 15 horas desta terça-feira. A empresa controlada em 50% pele Estado português colocou 200 mil obrigações e pretendia angariar 200 milhões de euros, com a maturidade até 2023, a oferecerem uma rentabilidade de 4,375% por ano.

Procura global foi 1,55 vezes superior à oferta

No total da emissão, a TAP atraiu mais 6 mil investidores de retalho e a procura global pelas obrigações foi 1,55 vezes superior à oferta, sendo que mais de 50% da procura foi de investidores particulares, o que levou a presidente da Euronext, Isabel Ucha, a afirmar que esta “foi a maior emissão de obrigações de uma empresa portuguesa nos últimos anos”.

Ao nível do segmento geral, a procura totalizou 162,4 milhões de euros e ainda foram incluídas obrigações no valor de 105 milhões de euros. Houve mais de 6000 investidores que confirmaram ordens de subscrição, sendo que a maior parte (exatamente 3.498) investiu entre mil e 5000 euros. Trabalhadores e clientes “miles&go”, com condições especiais, investiram 25,1 milhões de euros.

95 milhões em 35 investidores

Ao nível do segmento de profissionais e contrapartes elegíveis foram colocados 95 milhões de euros em 35 investidores. A oferta destinada aos investidores de retalho arrancou a 3 de junho, mas o interesse manifestado pelos investidores levou a companhia aérea a elevar em quatro vezes o montante que pretende colocar. Assim, a colocação de obrigações passou de 50 milhões de euros para 200 milhões de euros. As obrigações serão admitidas na bolsa a 24 de junho.

As receitas decorrentes desta oferta e da emissão das obrigações TAP 2019-2023 “destinam-se a consolidar o passivo num prazo mais largado, através do refinanciamento de dívidas que se vencerão num futuro próximo, bem como à obtenção de fundos para financiar a sua atividade corrente”.

Juros pagos ao semestre

As obrigações a quatro anos pagam uma taxa de juro bruta de 4,375%. No prospeto a TAP calcula que a taxa de rendibilidade ilíquida de impostos é de 4,42232% (pressupõe a capitalização dos juros recebidos) e a taxa líquida de impostos é de 3,17453%. Cada título tem um preço de mil euros e paga juros semestrais ao longo dos quatro anos da emissão, com datas de pagamento previstas para 24 de junho e 24 de dezembro de cada ano, “exceto o último pagamento de juros, que está previsto ocorrer na data de reembolso das Obrigações TAP 2019-2023, a 23 de junho de 2023”.

Com esta emissão de dívida, lançada no passado dia 3 junho, a TAP pretendia inicialmente levantar 50 milhões de euros, mas, na passada sexta-feira, a empresa detida maioritariamente pela Parpublica, holding do Estado português, e pela Atlantic Gate, do empresário brasileiro David Neeleman, decidiu aumentar o valor da oferta pública de subscrições para 200 milhões.

“Abertura do capital será um sucesso”, diz Neeleman

À margem da cerimonia da Euronext, David Neeleman disse ao Jornal Económico que o bom desempenho da TAP nesta emissão obrigacionista permite antever “grande interesse dos investidores quando a empresa avançar para a abertura do capital, que será um sucesso”, o que deverá contribuir para ultrapassar todos os condicionalismos financeiros que têm limitado o crescimento da transportadora aérea nacional. “Esta emissão obrigacionista permitirá reduzir a dívida bancária da TAP”, adiantou o acionista, considerando que o custo mensal da dívida da TAP terá de diminuir no curto prazo.

Já o presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves considera que o número de aviões novos da Airbus que a TAP tem recebido vai continuar – “na próxima semana chegará mais um” – o que garante um bom nível de renovação da frota da TAP, beneficiando assim de uma oferta modernizada e de uma poupança nos consumos, pois os novos aviões gastam menos combustível e são mais ecológicos, pois geram menores emissões. Nem David Neeleman, nem Antonoaldo Neves se comprometem com datas para a abertura do capital da TAP, que, muito provavelmente, deverá ocorrer em 2020.

Alongar maturidade

O chairman da TAP, Miguel Frasquilho, que foi nomeado pelo acionista Estado, disse ao Jornal Económico, no início deste mês, que este empréstimo obrigacionista se destina a financiar a “atividade corrente, como em qualquer empresa”, e permitirá “alongar a maturidade da nossa dívida, portanto é interessante em termos de gestão de balanço”.

A organização, montagem e colocação esteve a cargo dos seguintes bancos: Haitong, Activo Bank, Banco Best, Montepio, Banco Carregosa, Bankinter, CaixaBI, CCCAM, Caixa Geral de Depósitos, Haiton, Millennium bcp e Novo Banco. A operação contou com o apoio jurídico das sociedades de advogados PLMJ e Vieira de Almeida.

Notícia atualizada às 18h16

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O prazo de subscrição arrancou a 3 de junho, decorrendo até às 15 horas do dia 18 de junho. As obrigações têm um prazo de quatro anos, até 2023, com uma taxa de juro de 4,375%.
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