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Teste inglês “dá otimismo” sobre semana mais curta em Portugal

A maioria das empresas britânicas que testaram a semana de quatro dias querem mantê-la. E Portugal? Teste arranca no verão e, otimista, coordenador identifica semelhanças com o mercado do Reino Unido.
10 Março 2023, 11h00

A semana de trabalho de quatro dias continua a dar provas das vantagens que lhes estão associadas. Tanto que a maioria das empresas que se juntaram ao projeto-piloto de seis meses desenvolvido no Reino Unido diz que vai mantê-la, tendo registado melhorias nas receitas, produtividade e bem-estar dos trabalhadores. Também em Portugal este modelo será testado ainda este ano e, otimista perante os resultados da experiência britânica, o coordenador desse projeto diz que “há muitas semelhanças” entre o mercado luso e o do Reino Unido. Do lado das empresas, a reticência, porém, mantém-se: atiram que o momento atual – que está a ficar marcado por múltiplos desafios, nomeadamente em resultado da guerra na Ucrânia – não é o mais propício para esta experiência.

Foram 61 as empresas do Reino Unido, com um total de 2.900 trabalhadores, que adotaram voluntariamente a semana de trabalho de quatro dias, durante seis meses de 2022. Os resultados dessa experiência foram conhecidos agora: 92% das participantes garante que vai manter o modelo, tendo as suas receitas subido, em média, 1,4% durante o teste, enquanto as saídas de trabalhadores caíram 57%. Da parte dos trabalhadores, 39% sentiram-se com menos stress, 46% viram a sua fadiga reduzir, 40% reportaram menos dificuldades no sono e 15% garantiram que por quantia alguma aceitariam uma semana de trabalho de cinco dias numa nova posição profissional.

Estes resultados são conhecidos poucos meses antes de o projeto-piloto português arrancar e o coordenador, Pedro Gomes, afirma ao Jornal Económico (JE) que trazem otimismo quanto a essa experiência. “O mais interessante é que a maioria das empresas do Reino Unido quer continuar em definitivo com este modelo.
Demonstra que o modelo resultou nestas empresas”, frisa o também professor em Birkbeck, Universidade de Londres. Segundo nota o economista, há várias semelhanças entre o mercado britânico e o português que alimentam esse otimismo: em ambas as geografias, há horários de trabalho muito longos e problemas crónicos de produtividade, identifica. “O que pode gerar diferenças é o aspeto cultural”, ressalva Pedro Gomes, referindo-se às múltiplas “pausas para o café” e às interrupções que se vivem na jornada de trabalho portuguesa. “Vamos trabalhar para construir uma cultura que valorize o nosso tempo e o dos outros”, defende, assim, o coordenador.
Além disso, a organização que promoveu o teste no Reino Unido, a 4 Day Week Global, também dará workshops às empresas que se juntem ao teste português, realça o mesmo responsável. “Vai tudo correr de uma forma similar. O que é uma incógnita é como vão as empresas portuguesas reagir”, atira.

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