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Mais do que o mercado global, a imigração digital estimula as economias locais

Atualmente, a maior parte da inovação ocorre de forma colaborativa e a mobilidade global das pessoas tem sido um fator importante no aumento do número de polos criativos.
30 Novembro 2022, 14h13

Num mundo onde cada vez mais empresas oferecem aos seus colaboradores a opção de “trabalhar de qualquer lugar” – seja no escritório, em casa, noutra parte do país ou mesmo do outro lado do mundo –, o desafio de atrair um número crescente de trabalhadores internacionais nunca foi tão grande.

Todos os meses, milhares de perfis qualificados escolhem novos países de destino para se estabelecer. E embora a noção geral seja a de que a integração desses trabalhadores em novos negócios e comunidades alimenta o mercado global de trabalho, começamos agora a perceber que melhorar o processo de realocação dessas pessoas por via da digitalização pode ter um impacto significativo no local para onde as pessoas escolhem mudar-se e, em consequência, um impacto positivo na economia local.

Tomemos, por exemplo, o papel dos novos nómadas na promoção do empreendedorismo e na criação de clusters de tecnologia em todo o mundo. Não é surpresa para ninguém que empreendedores estrangeiros reunidos num mesmo espaço estimulam novas conexões, ideias e empreendimentos. Atualmente, a maior parte da inovação ocorre de forma colaborativa e a mobilidade global das pessoas tem sido um fator importante no aumento do número de polos criativos.

Noutra perspetiva, vemos que a circulação de talento pressupõe a emissão de vistos, um procedimento burocrático que, em muitos países, funciona como solução temporária para problemas como impasses políticos ou atrasos de tramitação. Paralelamente, a mobilidade geográfica estimula as viagens, dando também um impulso adicional aos setores dos transportes e hotelaria.

Fica, assim, claro que a imigração digital e os trabalhadores nómadas em geral podem beneficiar a economia, seja ela global ou localizada. Num ambiente instável, como o que vivemos hoje, a realidade da imigração torna-se ainda mais desafiadora, pois as empresas são obrigadas a adotar estratégias agressivas para competirem na maior corrida por talento a que a humanidade já assistiu.

Como resultado, muitos empregadores estão a perceber que precisam de um novo conjunto de ferramentas, ou mesmo de mudar os seus hubs e escritórios, para gerirem com sucesso os seus programas de imigração, e alguns países, como Portugal – que adotou recentemente um novo regime de entrada de estrangeiros – estão a trabalhar arduamente para aproveitar a atração de talento qualificado.

Enquanto país com potencial para se tornar o Silicon Valley da Europa, Portugal deve liderar a imigração de talento digital de forma segura e desburocratizada – mas ainda há muito trabalho a ser feito para trazer o processo de imigração português do século XX para o século XXI. As pequenas e grandes vantagens a retirar do movimento transfronteiriço estão à vista, tanto para a economia portuguesa como para o planeta.


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