O presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) à TAP, Jorge Seguro Sanches, prepara-se para abandonar o cargo, avança a SIC, poucas horas depois de o responsável ter ameaçado demitir-se ao abandonar a audição marcada na terça-feira.
A estação apurou que a decisão já está tomada, faltando somente acordar a data de saída da comissão com o presidente da Assembleia da República, com quem reuniu ontem, momentos após abandonar os trabalhos da CPI.
Seguro Sanches já havia expressado a intenção na sequência de várias situações consideradas “inaceitáveis” pelo próprio, como a pressão dos partidos da oposição e do PS para alterar a agenda dos trabalhos, bem como alegada tentativa da oposição de atrasar o calendário e a conclusão do inquérito.
“A forma como fui questionado de forma deselegante leva-me a questionar se tenho condições para continuar” a “liderar a condução dos trabalhos”, afirmou ontem o deputado socialista.
Em causa, estava a grelha de inquérito a ser adotada nas audições ainda por se realizar. Na terça-feira, a audição ao ex-acionista Humberto Pedrosa arrancou com mais de hora e meia de atraso quando não houve consenso, entre os deputados da comissão, quanto aos tempos destinados às perguntas.
Isto porque em audições anteriores, nomeadamente nas que incluíram os sindicatos associados à TAP, optou-se por uma grelha mais curta. Era o entendimento de alguns deputados de que a grelha habitual (mais longa) seria retomada com a vinda de novas personalidades de maior relevo ao Parlamento.
A troca acesa durante a reunião de ontem levou mesmo Jorge Seguro Sanches a abandonar a sala e os trabalhos, tendo dito que seria provisoriamente. A audição de terça-feira foi presidida pelo social-democrata Paulo Rios de Oliveira.
Apesar de se ter, enfim, avançado com a grelha mais longa, nenhum deputado acabou por se inscrever na terceira ronda de questões, e os trabalhos encerraram pelas 22h30, hora que de resto não se afasta do que tem sido o calendário habitual desta comissão de inquérito.
A comissão tinha fim previsto para 23 de maio, mas essa data já está definitivamente comprometida, uma vez que todas as semanas são apresentados e aprovados novos requerimentos para audições, ou pedidos novos documentos relativos à gestão da tutela com a companhia aérea.
Jorge Seguro Sanches afirmou recentemente que não admite ataques à sua honorabilidade, mas não comentou ainda a decisão de saída.
Atualizada às 15h42
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