Apesar de reconhecer que gostaria de ver os bancos a remunerar mais os depósitos, Mário Centeno pediu contenção, elogiando a melhoria na sustentabilidade da banca na última década.
Na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de junho, o governador do Banco de Portugal (BdP) recusou-se a incitar a banca a subir depósitos nos juros, apesar de Portugal apresentar das taxas mais baixas pagas aos aforradores. O antigo ministro das Finanças reconheceu esta realidade, mas revisitou outros períodos de menos estabilidade e vitalidade na banca para argumentar que o foco deve ser colocado noutros aspetos.
“Nos dois ou três anos antes da crise financeira, os bancos portugueses tiverem de oferecer juros muito apetecíveis para captar depósitos; dois anos depois estávamos na maior crise financeira por excesso de endividamento”, afirmou, lembrando que este “foi o período em que as taxas de juro dos depósitos foram mais apetecíveis”.
“Não podemos nem devemos empurrar a banca para soluções que no passado só existiram pelos problemas que a banca enfrentava”, defendeu, apesar de reconhecer que gostava de ver os bancos aumentarem as remunerações nos depósitos e que haveria margem para tal.
O mais importante neste momento, continuou Mário Centeno, é assegurar a sustentabilidade da banca, de forma a possa estar “ao serviço do país, algo que há muito tempo não estava”, argumentou. A realidade agora mostra uma banca mais capitalizada, com rácios mais saudáveis, menor exposição ao risco e, portanto, mais capaz de conceder crédito “que não gere risco acrescido”.
Recorde-se que Portugal regista a segunda taxa mais baixa da zona euro no que toca à remuneração dos depósitos, com 0,9% em maio, à frente apenas de Chipre. Ainda assim, este valor é um máximo desde 2015.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com