[weglot_switcher]

“Não podemos empurrar a banca para soluções que só existiam pelos seus problemas”, defende Centeno

Apesar de reconhecer que gostaria de ver remunerações mais altas nos depósitos dos portugueses, o governador do BdP sublinhou que o mais importante é ter uma banca saudável, com rácios robustos, capaz de apoiar o país e conceder crédito “que não gere risco acrescido”.
Cristina Bernardo
16 Junho 2023, 12h46

Apesar de reconhecer que gostaria de ver os bancos a remunerar mais os depósitos, Mário Centeno pediu contenção, elogiando a melhoria na sustentabilidade da banca na última década.

Na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de junho, o governador do Banco de Portugal (BdP) recusou-se a incitar a banca a subir depósitos nos juros, apesar de Portugal apresentar das taxas mais baixas pagas aos aforradores. O antigo ministro das Finanças reconheceu esta realidade, mas revisitou outros períodos de menos estabilidade e vitalidade na banca para argumentar que o foco deve ser colocado noutros aspetos.

“Nos dois ou três anos antes da crise financeira, os bancos portugueses tiverem de oferecer juros muito apetecíveis para captar depósitos; dois anos depois estávamos na maior crise financeira por excesso de endividamento”, afirmou, lembrando que este “foi o período em que as taxas de juro dos depósitos foram mais apetecíveis”.

“Não podemos nem devemos empurrar a banca para soluções que no passado só existiram pelos problemas que a banca enfrentava”, defendeu, apesar de reconhecer que gostava de ver os bancos aumentarem as remunerações nos depósitos e que haveria margem para tal.

O mais importante neste momento, continuou Mário Centeno, é assegurar a sustentabilidade da banca, de forma a possa estar “ao serviço do país, algo que há muito tempo não estava”, argumentou. A realidade agora mostra uma banca mais capitalizada, com rácios mais saudáveis, menor exposição ao risco e, portanto, mais capaz de conceder crédito “que não gere risco acrescido”.

Recorde-se que Portugal regista a segunda taxa mais baixa da zona euro no que toca à remuneração dos depósitos, com 0,9% em maio, à frente apenas de Chipre. Ainda assim, este valor é um máximo desde 2015.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.