O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, receberá o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante uma visita oficial no final desta semana, na tentativa de ‘arrastar’ a Índia para o interior do seu espaço de influência – num quadro em que a Ásia está mais exposta à influência da China.
Mas não é certo que as prioridades da agenda indiana sejam as mesmas que as dos Estados Unidos. Desde logo porque uma dessas prioridades é precisamente a de ter uma agenda própria e não ser um apêndice de Washington. Isso mesmo tem ficado muito claro ao longo dos últimos anos – nomeadamente desde que a Índia não se mostrou interessada em enfileirar atrás dos Estados Unidos na resposta à Rússia depois da invasão da Ucrânia.
A Casa Branca tenta relativizar esta falta de sintonia. Para além de realizar um jantar de Estado em homenagem a Modi (amanhã, 22 de junho) – que considera um sinal da crescente relação entre as duas potências – pretende intensificar a cooperação em áreas como comércio e venda de armas. E salienta que uma recente viagem a Nova Délhi do conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, “salientou o dinamismo da parceria EUA-Índia antes da histórica visita oficial de Estado do primeiro-ministro Modi aos Estados Unidos”, refere comunicado da administração Biden.
O crescente poder militar da China tornaram-se uma fonte de preocupação para países asiáticos próximos, Filipinas, Vietname, Japão e Índia, o que os Estados Unidos consideram ser um forte incentivo para que estes países se aproximem – ou reaproximem – do Ocidente. Mas não é bem isso que tem sucedido – e o caso da Índia é exemplificativo.
Até porque o primeiro-ministro tem uma agenda pessoal que tem sido fortemente criticada por várias chancelarias, nomeadamente no que tem a ver com as suas posições face aos muçulmanos da Índia e a outras minorias, cada vez mais violentamente reprimidas em favor de um nacionalismo hindu que ameaça submergir tudo em sua volta.
Seja como for, e segundo a imprensa norte-americana, a viagem de Modi aos Estados Unidos foi recebida com apoio bipartidário – que se manifesta em várias circunstâncias em termos de agenda externa: numa carta conjunta, o Congresso convidou Modi a discursar no plenário durante a sua visita. “Durante o seu discurso, terá a oportunidade de partilhar a sua visão para o futuro da Índia e falar sobre os desafios globais que os nossos dois países enfrentam”, diz a carta.
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