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Estados Unidos e Índia fortalecem laços na defesa e comércio

O objetivo central e não totalmente explícito é ‘capturar’ a Índia para o interior do grupo de parceiros estratégicos que ao mesmo tempo estejam próximos do território chinês.
18 645 euros
22 Junho 2023, 13h00

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, quer ter nas mãos o início de uma relação mais forte entre o seu país e a Índia como prova não só de que não abandona os parceiros estratégicos do outro lado do mundo, como continua a ser uma alternativa ao crescente poder da China. Nesse contexto, a Índia é um parceiro preferencial – como o são também o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália. Uma série de acordos comerciais e na importante área da defesa foram concluídos no âmbito da visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, aos Estados Unidos.

Washington quer que a Índia seja um contrapeso estratégico à China e vê a Índia como uma parceria crítica. Modi quer aumentar a influência que a Índia tem nos cenários regional e mundial. Exacerbar os laços tensos que a Índia mantém com a vizinha China – nomeadamente em termos territoriais – parece ser a melhor opção dos Estados Unidos.

Biden estende o tapete vermelho a Modi, rodeado de todas as provas de que é um parceiro privilegiado da Casa Branca dos democratas – no que são secundados pelos republicanos: receções, visitas, uma palestra na Sala Oval, um requintado banquete de Estado, um jantar privado na Casa Branca e finalmente um discurso no Congresso, fazem parte do menu.

Segundo avança a imprensa norte-americana, os acordos a anunciar nas próximas horas serão firmados nas áreas dos semicondutores, minérios, tecnologia, cooperação espacial e cooperação e negócios na defesa. Alguns dos acordos pretendem diversificar as cadeias de fornecimento para reduzir a dependência da China.

Os dois líderes assinarão o que é ‘vendido’ como um “acordo pioneiro” para permitirá que a General Electric produza motores a jato na Índia para montar em aeronaves militares indianas. Além disso, os navios da Marinha dos Estados Unidos na região poderão estacionar em estaleiros indianos para reparações – o que será com certeza uma das áreas que a China menos gostará de conhecer.

Os acordos incluem também a fabricante de chips norte-americana Micron Technology, que tem um plano orçado em 2,7 mil milhões de dólares para a montagem uma unidade de testes e embalagem de semicondutores a instalar no Estado natal de Modi, Gujarata. Combinada com acordos sobre computação quântica, inteligência artificial, entre muitos outros desenvolvidos nos últimos meses, a visita de Modi pode “encorajar mais empresas norte-americanas a investir na Índia”, referem fontes citadas pela agência Reuters.

Segundo a mesma fonte, Joe Biden planeia não se coibir de levantar preocupações sobre os direitos humanos na Índia de Modi – que diversas ONG’s consideram estar completamente atropelados – nomeadamente no que tem a ver com a muito numerosa comunidade muçulmana. Liberdade de imprensa, liberdade religiosa e outras questões serão “de forma respeitosa” abordadas pelo presidente norte-americano.

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