[weglot_switcher]

Lucros do Deutsche Bank caem 9% para 1,9 mil milhões no primeiro semestre

O maior banco comercial privado da Alemanha aumentou as provisões para risco de incumprimento de crédito para 772 milhões de euros até junho, mais 47% em termos homólogos.
26 Julho 2023, 11h41

O Deutsche Bank anunciou lucros acima do esperado no segundo trimestre, embora tenha apresentado uma perspetiva cautelosa para os próximos trimestre devido à estimativa de aumento do crédito malparado.

O resultado antes de impostos no primeiro semestre foi de 3,3 mil milhões de euros, 2% acima do ano anterior, apesar dos custos não operacionais mais altos.

O resultado líquido (atribuído aos acionistas) no primeiro semestre acabado em junho atingiu os 1.921 milhões de euros, o que representa uma queda de 9% face ao primeiro semestre de 2022.

O banco alemão foi muito afectado pelas imparidades para crédito, que cresceram 47% num ano para 772 milhões de euros.

No que se refere aos primeiros seis meses do ano, o resultado antes de impostos, excluindo custos não operacionais, aumentou 21% para quatro mil milhões de euros. Para isto contribuiu a receita líquida que aumentou 8% num ano, para 15,1 mil milhões de euros.

No semestre os custos não recorrentes de juros aumentaram 8% para 11,1 mil milhões de euros, incluindo custos não operacionais de 744 milhões. Os custos ajustados subiram 2% para 10,3 mil milhões de euros.

O resultado após impostos somou 2,3 mil milhões de euros, o que traduz uma queda de 7%, refletindo uma taxa de imposto mais alta.

Lucros do segundo trimestre caem 27%

Os lucros do segundo trimestre do banco alemão baixaram 27,3% para 763 milhões de euros, ficando acima das estimativas de 571 milhões de euros, mas o banco reviu em baixa o target para as receitas na banca de investimento em 2023, que afinal devem ficar abaixo do registado no ano passado. O lucro líquido do banco atribuível aos acionistas superou ligeiramente a previsão de 737 milhões de euros dos analistas contactados pela “Reuters”, embora tenha marcado uma queda significativa em relação aos 1,046 mil milhões de euros reportados no mesmo trimestre de 2022, enquanto as receitas líquidas aumentaram 11% na comparação anual para 7,4 mil milhões de euros, acima dos 6,65 mil milhões registados no segundo trimestre de 2022.

O banco anunciou hoje um resultado antes de impostos de 1,4 mil milhões de euros para o segundo trimestre de 2023, o que traduz uma descida de 9 % em comparação com o segundo trimestre de 2022. Os resultados do trimestre incluem 655 milhões de euros de custos não operacionais, incluindo 395 milhões de euros de encargos com litígios relacionados principalmente com o legado e 260 milhões de euros de reestruturação e indemnizações relacionadas com a execução acelerada da estratégia do banco.

No trimestre homólogo do ano anterior, os custos não operacionais foram de 102 milhões. Excluindo os custos não operacionais em ambos os períodos, o lucro antes de impostos teria sido de 2,1 mil milhões, ou seja teria aumentado 25% em termos homólogos.

No entanto, as custos não relacionadas com juros (dos depósitos) do segundo trimestre aumentaram 15% em termos anuais para 5,6 mil milhões de euros, com os custos ajustados a subirem 4% para 4,9 mil milhões de euros. Os custos não operacionais incluem 395 milhões de euros em encargos com litígios e 260 milhões de euros em “reestruturação e indemnizações relacionadas com a execução da estratégia”.

As provisões para perdas de crédito no segundo trimestre foram de 401 milhões de euros, acima dos 233 milhões registados no mesmo trimestre do ano passado.

As divisões de banca de negócios e de banca privada do Deutsche registaram um segundo trimestre forte, com as receitas a aumentarem 25% e 11% em termos anuais, respetivamente, beneficiando do ambiente de taxas de juro mais elevadas. No entanto, as suas actividades mais ligadas ao contexto do mercado financeiro – a banca de investimento e a gestão de activos – viram as receitas cair 11% e 6%, respetivamente.

O banco beneficiou do colapso do Credit Suisse.

No seu relatório do primeiro trimestre, o banco assinalou a redução de postos de trabalho na área não ligada a clientes e registou uma queda anual mais acentuada do que o previsto nas receitas do banco de investimento.

Recorde-se que o banco alemão concluiu um amplo plano de reestruturação que começou em 2019 com o objetivo de cortar custos e melhorar a rentabilidade.

O rácio de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1 – CET1) situou-se em 13,8% no final do segundo trimestre, face a 13,6% no final do primeiro trimestre, acima do objetivo de capital do banco para 2025 de cerca de 13%. A evolução trimestral em relação ao trimestre anterior refletiu, em grande medida, o impacto positivo no capital dos fortes resultados, a par de uma ligeira descida dos ativos ponderados pelo risco durante o trimestre. Estes factores positivos mais do que compensaram as deduções relativas a dividendos e cupões AT1.

O RoTE após impostos foi de 6,8%, em comparação com 8,0% no período do ano anterior, e o ROE após impostos foi de 6,1%, em comparação com 7,2% no período do ano anterior.

O rácio de eficiência (cost-to-income) está em 73%, mas excluindo os custos não recorrentes seria de 67%.

O Deutsche Bank revelou entradas líquidas de 28 mil milhões de euros no Private Banking e no e Asset Management.

“No primeiro semestre de 2023, demonstrámos novamente uma boa dinâmica de crescimento através de uma carteira de negócios diversificada, capacidade de ganhos subjacente e resiliência do balanço. Isto coloca-nos num bom caminho para os nossos objetivos financeiros para 2025”, afirmou Christian Sewing, CEO do Deutsche Bank.

“As recompras de ações que planeamos permitem-nos cumprir os nossos objectivos de distribuição de capital aos nossos acionistas”, acrescentou no comunicado.

O Deutsche Bank anunciou na terça-feira que planeia iniciar até 450 milhões de euros de recompra de ações este ano, começando em agosto, e espera que o capital total devolvido aos acionistas por meio de dividendos e recompras em 2023 ultrapasse mil milhões de euros, em comparação com cerca de 700 milhões em 2022.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.