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Programa de incentivos fiscais norte-americano atrai empresas espanholas

As energéticas Iberdrola e Repsol são duas das empresas interessadas em participar na ‘Lei de Redução da Inflação’, o programa criado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Repsol
8 Agosto 2023, 11h10

O programa de incentivos fiscais dos Estados Unidos está a merecer a atenção de algumas das principais empresas espanholas. Designada por ‘Lei de Redução da Inflação’, o projeto criado pelo presidente Joe Biden pretende contemplar com subsídios indiretos as empresas que decidam instalar-se ou aumentar as suas fábricas já existentes no país, revela o “Cinco Dias”.

Esta lei, que vem sendo aplicada pelo presidente dos Estados Unidos desde agosto do ano passado, ligou os alarmes na Europa, com o Comissário Europeu Didier Reynders a reconhecer que Bruxelas deve trabalhar para “evitar que o investimento fuja da Europa”.

O responsável deixou o aviso numa recente cimeira dos 27 Ministros do Consumo, Indústria e Mercado Interno, numa altura em que a Europa procura soluções para contrariar o atrativo plano de incentivos fiscais dos Estados Unidos.

Em Espanha, algumas das vozes mais representativas da indústria alertam para os efeitos nocivos que a nova regulamentação norte-americana pode provocar, recordando que a União Europeia já perdeu no passado a sua capacidade de produção industrial, motivada principalmente pelas perdas de emprego, para o continente asiático.

No caso da indústria da siderurgia, 44% do aço usado atualmente nos EUA deve ter sido produzido no país, que se estima que chegue aos 60% em 2026.

Andrés Barceló, diretor-geral da Unesid, associação siderúrgica que representa empresas que faturam 14 mil milhões de euros com mais de 21 mil trabalhadores, pede uma maior agilidade da União Europeia na tomada de decisões para contrariar a atratividade do plano de Joe Biden, que “quer avançar na descarbonização da economia, mas com base numa indústria local sólida”.

Entre as empresas espanholas que mais interesse demonstraram em aderir a esta lei estão a Iberdrola, que se associou ao grupo norte-americano Sempra para a produção de hidrogénio verde e amoníaco em grande escala.

A empresa vai redobrar o seu compromisso com os Estados Unidos ao apoiar o plano de Joe Biden de novas energias renováveis. Nos próximos três anos vai investir mais de 19.600 milhões de euros. O grupo presidido por Ignacio Sánchez Galán emprega 7.500 pessoas no país e valoriza “a estabilidade regulatória e o compromisso com a descarbonização” da gigante americana.

Outra das empresas que mais interesse demonstra neste programa é a Repsol, que através do seu CEO, Josu Jon Imaz, defende que a descarbonização da economia da Europa e dos Estados Unidos é quase oposta.

“Na Europa, temos de olhar mais para os EUA, porque corremos o risco de que a batalha pela descarbonização também nos vença. Vamos aprender com os americanos, que são capazes de aliar um tecido industrial competitivo a uma séria ambição na transição energética”, afirmou o responsável da empresa que tem investimentos nas áreas renováveis ​​de 1.400 milhões de euros.


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