A vice-presidente da Comissão Europeia para os Valores e Transparência alertou para contra ser-se “paranoico” ou demasiado restritivo na regulação da Inteligência Artificial (IA) generativa, porque o receio extremo desta tecnologia pode impactar negativamente a inovação.
“Não deveria haver paranoia na avaliação dos riscos da IA. Tem sempre de ser uma análise sólida dos possíveis riscos”, disse Věra Jourová ao jornal “Financial Times” a propósito da legislação europeia que está iminente e se tornou pioneira a nível mundial. Na sua opinião, a lei não deve basear-se em preocupações “distópicas”.
“Não devemos marcar como alto risco coisas que não parecem ser de alto risco no momento. Deveria haver um processo dinâmico onde, quando vemos tecnologias a serem utilizadas de forma arriscada, possamos adicioná-las mais tarde à lista de alto risco”, argumentou, em declarações à publicação britânica, divulgadas esta terça-feira.
Věra Jourová é uma das responsáveis da Comissão Europeia pela supervisão da promulgação da lei da IA na União Europeia, conhecida como “AI Act”. Quando questionada sobre se o excesso de regulamentação representa uma ameaça à inovação tecnológica e empresarial, a ex-ministra checa concordou.
Os comentários da vice-presidente da Comissão Europeia para os Valores e Transparência surgem no momento em que o executivo comunitário, o Parlamento Europeu e os Estados-membros começam a reta final das negociações para concluir a legislação europeia da IA, dois anos e meio após a instituição liderada por Ursula von der Leyen ter apresentado a proposta de lei.
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