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Terceiro trimestre. Lucros sobem no Bank of America e BNY Mellon mas caem no Goldman Sachs

Os bancos foram um dos maiores beneficiários do aumento das taxas de juro pelos bancos centrais este ano e a banca norte-americana não foi exceção. Mas, embora as taxas de juro mais elevadas tenham beneficiado os bancos, também aumentaram os receios de mais incumprimentos de crédito, levando os bancos a reforçarem provisões.
Brendan McDermid / Reuters
17 Outubro 2023, 19h47

Os bancos foram um dos maiores beneficiários do aumento das taxas de juro pelos bancos centrais este ano e a banca norte-americana não foi exceção. Mas, embora as taxas de juro mais elevadas tenham beneficiado os bancos, também aumentaram os receios de mais incumprimentos de crédito, levando os bancos a reforçarem provisões. Por isso, os bancos norte americanos apresentam subida das receitas, mas também das provisões para crédito

O Goldman Sachs apresentou esta terça-feira  os lucros e receitas do terceiro trimestre que excederam as estimativas dos analistas, com os resultados de trading a serem mais fortes do que o esperado.

O banco registou 6,040 mil milhões de dólares de resultados atribuíveis nos nove meses de janeiro a setembro, sendo que no terceiro trimestre os lucros foram de 2,058 mil milhões de dólares. No primeiro caso compara com 9,579 mil milhões no período homólogo do ano anterior (uma queda de 37%) e no segundo, compara com 1,216 mil milhões no trimestre anterior e com 3,069 mil milhões no trimestre homólogo de 2022. Isto é, o banco liderado por David Solomon registou uma queda de 33% nos lucros para 2,06 mil milhões de dólares. Os resultados superam as estimativas dos analistas, devido a receitas superiores ao esperado com o segmento de “trading”.

O lucro no terceiro trimestre é de 5,47 dólares por ação, superando a estimativa de 5,31 dólares por ação da LSEG, anteriormente conhecida como Refinitiv.

As receitas no trimestre fixaram-se em 11,817 mil milhões de dólares, o que compara com 10,895 mil milhões em junho e com 11,975 mil milhões no trimestre homólogo de 2022.

Já nos nove meses o produto bancário soma 34,936 mil milhões de dólares o que compara com 36,772 milhões um ano antes (-5%). Aqui a margem financeira líquida totaliza 5,012 mil milhões de dólares, menos 11% que um ano antes.

As provisões para crédito caíram 74% e nos nove meses somaram 451 milhões de dólares.

O banco informou também que recomprou 4,2 milhões em ações no terceiro trimestre deste ano, por  1,5 mil milhões de dólares.

As ações do Goldman Sachs caem 2,05% depois das contas.

David Solomon, Presidente e CEO da Goldman Sachs, afirmou no comunicado que “continuamos a fazer progressos significativos na execução das nossas prioridades estratégicas e estamos confiantes de que o trabalho que estamos a fazer agora nos proporciona uma plataforma muito mais forte para 2024. Espero também uma recuperação contínua nos mercados de capitais e na atividade estratégica, se as condições se mantiverem favoráveis. Como líder em consultoria de fusões e aquisições e subscrição de ações, um ressurgimento da atividade será, sem dúvida, um fator de apoio para a Goldman Sachs”.

Já o Bank of America anunciou, esta terça-feira, que obteve um lucro líquido de 23,4 mil milhões de dólares (22,2 mil milhões de euros) nos primeiros nove meses, 14,7% mais do que há um ano.

No terceiro trimestre, o Bank of America teve um lucro de 7,8 mil milhões de dólares, o que traduz uma subida de 10% em relação ao mesmo período de 2022, com as receitas a aumentarem 2,9% para 25,3 mil milhões de dólares, o que se deve sobretudo ao aumento das taxas de juro, superando a estimativa do LSEG.

Isto é, o lucro aumentou 10%, para 7,8 mil milhões de dólares, ou 90 cêntimos por ação, em comparação com 7,1 mil milhões de dólares, ou 81 cêntimos por ação, um ano antes, informou o banco com sede em Charlotte, na Carolina do Norte, num comunicado.

Os resultados do banco foram impulsionados por ganhos superiores ao esperado na margem financeira, a diferença entre os juros pagos nos empréstimos e cobrados nos depósitos.

O Bank of America afirmou que as receitas de juros aumentaram 4% para 14,4 mil milhões de dólares, cerca de 300 milhões de dólares a mais do que os analistas tinham previsto, impulsionados por taxas de juro do crédito mais elevadas e pelo crescimento da carteira de empréstimos. No entanto, as provisões para crédito malparado aumentaram em 336 milhões, para um total de 1,2 mil milhões de dólares.

Em comunicado, o presidente executivo do banco, Brian Moynihan, destacou que os resultados foram alcançados graças a um aumento de clientes em todas as linhas de negócio.

As ações a meio da sessão sobem 2,41%.

O terceiro banco a apresentar contas esta terça-feira, dia 17 de outubro, foi o Bank of New York Mellon Corp que superou as estimativas de Wall Street para o lucro do terceiro trimestre na terça-feira, fruto do aumento das taxas pelo Federal Reserve dos EUA que reforçou a receita do banco com juros dos empréstimos.

A receita líquida de juros do BNY Mellon no terceiro trimestre saltou quase 10% para 1,02 mil milhões de dólares o que compara com 926 milhões no ano anterior. Nos nove meses o produto bancário somou 3,244 mil milhões, o que compara com 2,448  mil milhões um ano antes.

As suas receitas totais aumentaram 2% para 4,4 mil milhões de dólares em relação ao ano anterior, enquanto os activos sob gestão aumentaram 8,3% para 45,7 mil  milhões de dólares, reflectindo principalmente valores de mercado mais elevados e entradas de clientes.

O banco registou um lucro atribuível aos acionistas de 1,038 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, o que compara com 1,067 mil milhões em junho e com 388 milhões de dólares no 3º trimestre de 2022.

Nos nove meses o BNY Mellon teve lucros de 3,081 mil milhões de dólares, o que compara com 2,030 mil milhões no período homólogo do ano anterior.

O BNY Mellon, com sede em Nova Iorque, reservou 3 milhões de dólares para provisões para perdas de crédito no trimestre. Entretanto, no ano passado, tinha libertado algumas reservas e registado um benefício de 30 milhões de dólares.

Numa base ajustada, o banco registou um lucro de 1,27 dólares por ação no terceiro trimestre, superando confortavelmente a estimativa média dos analistas de 1,15 dólares por ação, de acordo com dados da LSEG.

Os depósitos médios caíram 5,4%, para 262,1 mil milhões de dólares, numa base sequencial.

As ações do banco sobem 3,66%.

 


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