O mercado de trabalho europeu e norte-americano deve manter-se estável e forte durante este ano, projeta o Goldman Sachs, o que atirará a decisão dos bancos centrais sobre cortes de juros exclusivamente para a vertente dos preços. No entanto, qualquer surpresa pode precipitar a ação da política monetária, alerta o banco.
Com a inflação a recuar nas principais economias ocidentais, os bancos centrais têm colocado o foco cada vez mais na dinâmica laboral, temendo efeitos de segunda-ordem perante ganhos salariais acima da média. O Goldman Sachs prevê que o desemprego se mantenha estável durante este ano, ou seja, que o mercado de trabalho manterá a rigidez que se tem verificado, o que levará a cortes dos juros em junho, quando o indicador de preços se alinhar com o objetivo de 2%.
No entanto, mexidas pouco significativas na taxa de desemprego poderão obrigar os bancos centrais a agir mais rapidamente, alerta o departamento de análise económica do banco. Segundo a nota de pesquisa, uma subida de 0,2 a 0,3 pontos percentuais (p.p.) no desemprego de qualquer economia avançada “será suficiente para justificar três cortes consecutivos de 25 pontos base (p.b.)”.
“Outra subida de 0,3 a 0,6 p.p. justificaria cinco cortes consecutivos até ao final do ano”, acrescenta o relatório.
Este panorama é, contudo, pouco provável. Para o banco de investimento norte-americano, o cenário base passa por um mercado de trabalho a manter a vitalidade mostrada nos últimos trimestres, quando tem sido o destaque positivo nas economias americana e europeia.
Esta visão é apoiada pelo reequilíbrio recente do mercado, sobretudo devido a “uma diminuição na criação de emprego, em vez de por um aumento no desemprego”, um processo que se tem revelado “relativamente indolor” e que se deve manter este ano, apesar de “a abertura de postos ter voltado aos níveis pré-pandémicos em muitas economias”.
No entanto, estando este processo numa fase avançada, tal “aumenta o risco de que mais deterioração do mercado laboral leve a uma resposta de política [monetária]”, um efeito com bastante evidência histórica, “sobretudo quando a inflação já voltou a níveis mais normais”.
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