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Theresa May promete mais poder para o Parlamento

Acusada de pouca transparência para com o Parlamento e os britânicos, Theresa May teve mesmo que entregar os documentos sobre as negociações com Bruxelas.
4 Dezembro 2018, 19h45

No primeiro dia do debate sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra Theresa May foi repetidamente acusada de não mostrar ao Parlamento e aos britânicos toda a verdade sobre o processo que culminará na próxima quarta-feira, quando a Câmara dos Comuns votar o documento.

O dia foi de plena discussão e começou com os parlamentares a obrigarem o governo a entregar os documentos que resultaram da discussão entre Londres e Bruxelas com vista ao acordo. Relutante, May acabou por concordar para evitar a possível suspensão ou expulsão dos seus ministros dos lugares que ocupam no Parlamento – algo que os jornais britânicos afirmam nunca se ter visto.

O líder conservador dos Comuns, Andrea Leadsom, não gostou do que viu e acompanhou as críticas que vieram de todas as bancadas. Para emendar a mão, Theresa May disse há instantes no Parlamento que concorda em que os Comuns tenham um papel mais ativo nas negociações que ainda se seguirão com a União Europeia. “Haverá um papel maior e mais formal para o Parlamento”, disse, depois de ter sido duramente criticada pela falta de transparência para com o Parlamento.

Na segunda-feira, o procurador-geral, Geoffrey Cox defendeu o segredo que protege as informações confidenciais e insistiu na recusa em entregá-los ao Parlamento, com o argumento de que seria contraproducente para os interesses do país.

Numa última tentativa desesperada de evitar a claudicação e a posterior entrega dos documentos, o governo exigiu mais tempo, mas os deputados não lhe fizeram a vontade e uma maioria (311 contra 307) obrigou mesmo Theresa May a abrir mão da sua confidencialidade.

O debate, que continuará nos próximos dias, foi muito pesado para a primeira-ministra, dado que teve de enfrentar não só a oposição, como a não menos opositora fação conservadora que a quer colocar fora do governo. Os argumentos, de qualquer modo, não são novos: a oposição alega que o acordo é mau e a primeira-ministra contrapõe que é o melhor que se consegue arranjar.

Para os observadores, se o tom se mantiver durante toda a semana, o Parlamento está a desperdiçar um tempo imenso, dado que nenhum dos lados parece disposto a ceder em qualquer domínio.


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