A Kering, gigante do luxo e dona da Gucci, apresentou os resultados do quarto trimestre que, embora ainda revelem desafios, sinalizam o início de uma recuperação sólida.
As vendas do grupo atingiram 3,9 mil milhões de euros, o que significa um decréscimo de 3%.
As ações do conglomerado francês chegaram a disparar mais de 10% na Bolsa de Paris, impulsionadas por números que superaram as expectativas pessimistas dos analistas e pela confiança da administração num regresso ao crescimento sustentado já em 2026.
O desempenho da Gucci, que representa a maior fatia das receitas do grupo, foi o grande destaque da manhã. Apesar de ter registado uma queda de 10% nas vendas comparáveis no quarto trimestre, o recuo foi mais brando do que os 12% previstos pelo mercado.
Mais relevante ainda foi o lucro operacional da marca, que atingiu os 966 milhões de euros, superando os 911 milhões esperados. Segundo o novo CEO do grupo, Luca de Meo, este desempenho valida a estratégia de reposicionamento da marca, que começa a ver sinais positivos em mercados-chave como a América do Norte.
No total de 2025, a faturação da Kering recuou 10% face ao ano anterior, até aos 14,7 mil milhões de euros. O lucro operacional recorrente tombou 33%, ao passo que a margem operacional contraiu 11,1%.
Além dos números operacionais, a Kering demonstrou um controlo rigoroso da sua estrutura financeira, reduzindo a dívida líquida em 2,5 mil milhões de euros após a alienação estratégica da sua divisão de beleza.
Com o foco agora virado para a eficiência, o grupo planeia o fecho de cerca de 100 lojas menos rentáveis e prepara um Capital Markets Day para abril, onde detalhará o roteiro para a melhoria das margens e a revitalização do desejo pelas suas marcas a longo prazo.
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