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“Quando há crises o turismo não colapsa, adapta-se”, afirma Cristina Siza Vieira

Sob o tema, ‘o turismo num mundo imperfeito’, a vice-presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) fez uma viagem sobre um setor, que ao longo da história tem ultrapassado todas as crises, sejam elas provocadas pelas guerras ou por uma pandemia.
12 Fevereiro 2026, 13h04

‘O turismo num mundo imperfeito’, foi o tema utilizado por Cristina Siza Vieira, vice-presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), numa viagem temporal por um setor que tem sobrevivido a todas as crises, sejam elas provocadas pelas guerras ou por uma pandemia.

“Quando há crises o turismo não colapsa, adapta-se. Sem hotelaria não há turismo. A hotelaria adapta-se quando os fluxos mudam, é autónoma e independente. A hotelaria é a normalidade e continuidade de um mundo instável”, afirmou durante o congresso da AHP que decorre na Alfândega do Porto.

Para além de guerras e pandemia, a responsável recordou que a crise do subprime trouxe a maior quebra no turismo até 2020, mas que nem assim o setor abalou.

“Estas crises não são novas, fazem parte da história. A história mostra-nos que o turismo nunca foi apenas lazer e a hotelaria nunca foi apenas alojamento, mas sempre resposta. O mundo nunca foi perfeito, as crises passam, mas o turismo continua. O turismo não enfrentou respostas novas”, referiu.

Siza Vieira salientou que durante séculos viajar foi um privilégio de poucos, mas que com a Revolução Industrial estreitaram-se distâncias.

“O turismo veio permitir dar estabilidade. Se até aqui a viagem nascia da necessidade, agora é uma decisão. O turismo deixou de ser uma atividade periférica e passou a ser de larga escala com influência económica, politica e na sociedade”, sublinhou.

No caso de Portugal, a hotelaria foi fundamental no 25 de Abril, quando o Hotel Altis em Lisboa recebeu os retornados vindos das colónias. “Os hotéis foram o abrigo económico das empresas”, realçou.

No pós-pandemia, muito mais do que os preços, a confiança foi fundamental para que o setor voltasse a retomar a atividade.

“Os preços baixos não substituem a confiança em determinados momentos. E a pandemia mostrou-nos isso, porque por muito baixos que os preços fossem as pessoas não podiam viajar”, afirmou.

De resto, Siza Vieira frisou que em contextos de crise o serviço torna-se a verdadeira vantagem competitiva, dando conta das mudanças nos atuais consumidores de luxo na hotelaria, que procuram o wellness, câmaras hiperbáricas e o reset espiritual, com o mínimo de intervenção de pessoas.

“Portugal tem oportunidades em captar estes clientes de hiperluxo. Podemos trabalhar as nossas equipas e pessoas porque sem elas não conseguimos prestar serviços. Perceber onde e com quem vamos investir. Como integrar a IA no nosso dia a dia. Como retemos e cativamos os nossos hóspedes”, sublinhou.

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