O montante de títulos de dívida com caraterísticas ambientais, sociais e de governação (ESG) emitidos em Portugal quadruplicou nos últimos cinco anos, segundo uma análise estatística sobre a evolução recente da emissão de títulos de dívida ESG em Portugal e na zona euro divulgada pelo Banco de Portugal.
“Em dezembro de 2025, os títulos de dívida ESG atingiram 13,6 mil milhões de euros, passando a representar 4,3% do total de títulos emitidos por residentes, mantendo-se relativamente reduzido no mercado doméstico”. Uma evolução semelhante na zona euro, onde “os títulos de dívida ESG também quase quadruplicaram em cinco anos. Em dezembro de 2025, ascendiam a 1835 mil milhões de euros (7,1% do total).”, diz Banco de Portugal.
A mesma fonte refere que em Portugal, a maior parte dos títulos ESG está direcionada para projetos ambientais, conhecidos como “verdes”. Em dezembro de 2025, estes títulos representavam 68% do total de 13,6 mil milhões de euros emitidos por residentes. A categoria “ligada à sustentabilidade”, que apoia projetos sem uma finalidade específica mas com compromissos ESG futuros, ganhou relevância nos últimos anos, atingindo 21% do total. Já os títulos voltados para iniciativas sociais representavam apenas 8%.
A análise estatística do Banco de Portugal refere também que na zona do euro, a categoria predominante continua a ser a “verde”, representando 66% do total em dezembro de 2025, num montante acumulado de 1 835 mil milhões de euros. A categoria “associada à sustentabilidade” tinha um peso inferior ao observado em Portugal (9%). Por outro lado, os títulos ESG direcionados a projetos com impacto social positivo apresentavam uma participação mais significativa (17%).
A distribuição por países apresenta diferenças relevantes. Em França, as emissões públicas sobressaíam, representando 57% do stock total de 569 mil milhões de euros. Na Alemanha e nos Países Baixos, o setor financeiro tinha maior destaque, correspondendo a 52% e 71% dos stocks totais de 372 mil milhões e 312 mil milhões de euros, respetivamente. Portugal destacava-se pelo predomínio das empresas não financeiras nas emissões.
Quanto a investidores, a maioria dos títulos ESG emitidos em Portugal está nas mãos de não residentes, que detêm 67% do total. Entre residentes e não residentes, o setor financeiro detém a maior fatia, com bancos a somar 29%, seguradoras e fundos de pensões 11% e outras entidades financeiras 38%.
A distribuição por setores varia, com empresas não financeiras a representar 22%, o setor financeiro 43% e as administrações públicas 35%. Em termos de localização dos investidores, para além de Portugal, que detinha 33% dos títulos, os principais mercados estrangeiros eram Luxemburgo (14%), Estados Unidos (9%), França (8%), Espanha (7%) e Reino Unido (7%).
Em setembro de 2025, os investidores residentes em Portugal aplicavam maioritariamente em projetos ambientais, com os títulos “verdes” a representar 58% dos 16,4 mil milhões de euros em ESG. Entre 2021 e 2025, esta fatia diminuiu, enquanto os títulos “ligados à sustentabilidade” e “sociais” ganharam peso. Do total investido, 27% (4,5 mil milhões de euros) eram títulos emitidos por residentes portugueses.
Na área do euro, os títulos “verdes” predominavam na maioria dos países, ultrapassando 70% na Lituânia, Estónia, Países Baixos, Itália, Finlândia e Luxemburgo. A Eslováquia destacava-se nos títulos “sociais” (45%), enquanto Portugal liderava na categoria “ligada à sustentabilidade”, com 21% do total investido em ESG.
Em Portugal, o setor financeiro lidera o investimento em títulos ESG. Em setembro de 2025, os bancos detinham 50% do total, as seguradoras e fundos de pensões 31% e outras entidades financeiras 11%. O peso dos bancos cresceu 15 pontos percentuais, enquanto seguradoras e fundos de pensões recuaram 16 pontos. Os particulares representavam 6% do investimento, registando um aumento de 5 pontos desde setembro de 2021.
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