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Stock de títulos ESG em Portugal quadruplica em cinco anos

Títulos ESG em Portugal atingiram 13,6 mil milhões de euros em dezembro de 2025, segundo dados do Banco de Portugal. Apesar do crescimento expressivo, estes continuam a representar uma fatia reduzida do mercado doméstico, concentrando-se sobretudo em projetos ambientais, enquanto o setor financeiro lidera o investimento.
20 Fevereiro 2026, 12h48

O montante de títulos de dívida com caraterísticas ambientais, sociais e de governação (ESG) emitidos em Portugal quadruplicou nos últimos cinco anos, segundo uma análise estatística sobre a evolução recente da emissão de títulos de dívida ESG em Portugal e na zona euro divulgada pelo Banco de Portugal.

“Em dezembro de 2025, os títulos de dívida ESG atingiram 13,6 mil milhões de euros, passando a representar 4,3% do total de títulos emitidos por residentes, mantendo-se relativamente reduzido no mercado doméstico”. Uma evolução semelhante na zona euro, onde “os títulos de dívida ESG também quase quadruplicaram em cinco anos. Em dezembro de 2025, ascendiam a 1835 mil milhões de euros (7,1% do total).”, diz Banco de Portugal.

A mesma fonte refere que em Portugal, a maior parte dos títulos ESG está direcionada para projetos ambientais, conhecidos como “verdes”. Em dezembro de 2025, estes títulos representavam 68% do total de 13,6 mil milhões de euros emitidos por residentes. A categoria “ligada à sustentabilidade”, que apoia projetos sem uma finalidade específica mas com compromissos ESG futuros, ganhou relevância nos últimos anos, atingindo 21% do total. Já os títulos voltados para iniciativas sociais representavam apenas 8%.

A análise estatística do Banco de Portugal refere também que na zona do euro, a categoria predominante continua a ser a “verde”, representando 66% do total em dezembro de 2025, num montante acumulado de 1 835 mil milhões de euros. A categoria “associada à sustentabilidade” tinha um peso inferior ao observado em Portugal (9%). Por outro lado, os títulos ESG direcionados a projetos com impacto social positivo apresentavam uma participação mais significativa (17%).

A distribuição por países apresenta diferenças relevantes. Em França, as emissões públicas sobressaíam, representando 57% do stock total de 569 mil milhões de euros. Na Alemanha e nos Países Baixos, o setor financeiro tinha maior destaque, correspondendo a 52% e 71% dos stocks totais de 372 mil milhões e 312 mil milhões de euros, respetivamente. Portugal destacava-se pelo predomínio das empresas não financeiras nas emissões.

Quanto a investidores, a maioria dos títulos ESG emitidos em Portugal está nas mãos de não residentes, que detêm 67% do total. Entre residentes e não residentes, o setor financeiro detém a maior fatia, com bancos a somar 29%, seguradoras e fundos de pensões 11% e outras entidades financeiras 38%.

A distribuição por setores varia, com empresas não financeiras a representar 22%, o setor financeiro 43% e as administrações públicas 35%. Em termos de localização dos investidores, para além de Portugal, que detinha 33% dos títulos, os principais mercados estrangeiros eram Luxemburgo (14%), Estados Unidos (9%), França (8%), Espanha (7%) e Reino Unido (7%).

Em setembro de 2025, os investidores residentes em Portugal aplicavam maioritariamente em projetos ambientais, com os títulos “verdes” a representar 58% dos 16,4 mil milhões de euros em ESG. Entre 2021 e 2025, esta fatia diminuiu, enquanto os títulos “ligados à sustentabilidade” e “sociais” ganharam peso. Do total investido, 27% (4,5 mil milhões de euros) eram títulos emitidos por residentes portugueses.

Na área do euro, os títulos “verdes” predominavam na maioria dos países, ultrapassando 70% na Lituânia, Estónia, Países Baixos, Itália, Finlândia e Luxemburgo. A Eslováquia destacava-se nos títulos “sociais” (45%), enquanto Portugal liderava na categoria “ligada à sustentabilidade”, com 21% do total investido em ESG.

Em Portugal, o setor financeiro lidera o investimento em títulos ESG. Em setembro de 2025, os bancos detinham 50% do total, as seguradoras e fundos de pensões 31% e outras entidades financeiras 11%. O peso dos bancos cresceu 15 pontos percentuais, enquanto seguradoras e fundos de pensões recuaram 16 pontos. Os particulares representavam 6% do investimento, registando um aumento de 5 pontos desde setembro de 2021.

 

 


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