A sessão de terça-feira foi marcada pela entrada em vigor das novas taxas alfandegárias gerais de 10% aplicadas pelos Estados Unidos, que ficam abaixo dos 15% que o presidente norte-americano ameaçou.
Estas tarifas são aplicadas depois do Supremos Tribunal ter considerado grande parte das tarifas aplicadas durante o mandato de Donald Trump inválidas. Para estas tarifas o presidente norte-americano recorreu de uma nova base legar, a secção 122 da Lei do Comércio de 1974.
Os analistas do Bankinter, referem que estas tarifas vão ter um “impacto negativo sobre o mercado por reativa-se um fator de incerteza que já se dava por superado. As devoluções de impostos alfandegários supõem ca.0,5% s/PIB, o que elevaria o défice fiscal até 6,6%. Isso debilitará as obrigações americanas (elevação yield; T-Note agora em 4,07%) e, por extensão, a bolsa americana”.
“É altamente provável que a Administração Trump tente impor impostos alfandegários com base em alguma legislação alternativa (Trade Expansion Act 1962 de Segurança Nacional ou a Trade Act 1974 de Práticas Comerciais Desleais de Terceiros Países e Proteção da Indústria Nacional) ou, num desenvolvimento menos adverso, aceite aplicar esses 15% universais sem procurar alternativas mais complexas. Em qualquer caso, o défice fiscal americano deteriorar-se-á e a incerteza regressa ao mercado”, apontam.
Contudo, isto não foi suficiente para abalar os investidores, que continuaram a apostar nos índices. Por cá, o PSI fechou com ganhos, impulsionado pela família EDP, enquanto o espanhol Ibex35 não resistiu às perdas.
Os olhos dos investidores continuam postos no petróleo, que continua a ser sustentado pelas tensões entre os Estados Unidos e o Irão. “Os preços continuam a ser sustentados por preocupações relacionadas com a oferta, numa altura em que os Estados Unidos reforçam a sua presença militar no Médio Oriente. Os negociadores no mercado petrolífero começaram a incorporar nos preços um risco acrescido de um conflito de grande escala entre os EUA e o Irão, que poderá desestabilizar toda a região e perturbar o fornecimento de crude proveniente de uma das principais zonas produtoras a nível mundial”, explica Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“Neste contexto, os investidores estarão atentos a quaisquer progressos (ou à sua ausência) nas negociações em curso com vista à concretização de um acordo nuclear entre Washington e Teerão. Tendo em conta a dimensão do destacamento militar norte-americano na região, quanto mais o processo se prolongar sem um desfecho positivo, maior poderá ser o nervosismo nos mercados, criando potencial adicional de valorização para o preço do barril”, aponta.
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