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CCB aposta em novos públicos e dimensão europeia na estratégia para 2026-2030

O Centro Cultural de Belém (CCB) apresentou o seu novo plano estratégico, intitulado “RE-VISITAR”, que define a visão da instituição para o período entre 2026 e 2030. O documento propõe um reposicionamento do CCB como espaço central de encontro entre criação artística, pensamento crítico e sociedade, reforçando o seu papel cultural, urbano e simbólico em Lisboa, em Portugal e no contexto europeu.
15 Abril 2026, 20h16

O Centro Cultural de Belém (CCB) apresentou o plano estratégico “RE-VISITAR” 2026-2030, que visa reposicionar a instituição como um espaço de encontro entre criação artística, pensamento crítico e sociedade, reforçando o seu papel cultural, urbano e simbólico em Lisboa, em Portugal e no contexto europeu.

A estratégia foca-se na internacionalização, na conquista de novos públicos e na curadoria territorial, transicionando para um modelo de programação conjunta com os visitantes.

O plano estratégico é apresentado num momento em que as principais instituições culturais europeias desenvolvem um processo de reflexão sobre o seu propósito, identidade e relevância, num tempo histórico marcado por incerteza, turbulência e mudança.

Segundo o comunicado da instituição, o plano, partindo da ideia de “voltar a olhar”, assume a necessidade de “reavaliar práticas e relançar a relação entre arte e sociedade com um novo impulso”.

A nível nacional, o documento identifica oportunidades associadas à transformação do eixo Belém-Tejo e ao surgimento de novas centralidades culturais, defendendo um papel mais ativo do CCB como fórum de pensamento, experimentação e debate sobre o futuro.

O plano resulta de um processo participado, que envolveu diferentes stakeholders, equipas internas e comunidade, através de consultas abertas e escuta ativa. O objetivo foi construir uma estratégia enraizada na realidade da instituição, mas aberta à diversidade e à mudança.

Entre os princípios orientadores, o CCB define como propósito valorizar a arte, os artistas e os públicos enquanto protagonistas da afirmação da Europa no mundo e dos valores da liberdade e da diversidade. A visão aponta para uma instituição com forte capacidade de atração, capaz de gerar pertença, confiança e maior autonomia financeira.

A missão passa por afirmar o CCB como “um espaço vivido pelos cidadãos, onde programação plural e contemporânea cruza criação, pensamento e sociedade. Hospitalidade, diversidade, liberdade, participação e conhecimento são os valores assumidos”, segundo o comunicado.

Estratégia em três grandes eixos

A estratégia organiza-se em três grandes eixos. O primeiro, Cultura Europeia, pretende reforçar o posicionamento internacional, incluindo residências artísticas e parcerias com o ensino superior europeu, inspiradas no modelo Erasmus. O segundo, Públicos Novos, aposta na captação de novas gerações através de experiências culturais inovadoras, maior integração digital e programação ao ar livre. O terceiro, Curadoria Territorial, visa reposicionar o CCB na oferta cultural da cidade, valorizando o campus e o ecossistema cultural da zona Tejo-Belém.

O plano responde ainda às novas expectativas dos públicos, que procuram experiências mais participativas, acessíveis e emocionalmente relevantes. Neste sentido, destaca-se a importância da hospitalidade, da mediação cultural e da qualidade da experiência no espaço.

“O desafio já não é apenas programar para públicos, mas programar com os públicos”, sublinha o comunicado, defendendo uma maior participação dos visitantes na construção de significado cultural.

A implementação da estratégia assenta em dois pilares: o reforço das infraestruras, tanto físicas como digitais, e a sustentabilidade económica. Entre as prioridades estão a modernização tecnológica, a melhoria dos acessos, a captação de financiamento internacional e o desenvolvimento de modelos de filantropia.

O plano enfatiza ainda a necessidade de fortalecer a cultura organizacional interna, promovendo comunicação, participação e valorização das equipas.

Em síntese, o “RE-VISITAR” projeta um CCB mais aberto, internacional e inclusivo, assumindo a cultura como motor de liberdade, diversidade e futuro.

Como afirma Nuno Vassallo e Silva, presidente do Conselho de Administração da Fundação CCB, “valor existe — a nossa responsabilidade é ativá-lo e colocá-lo ao serviço da sociedade e da Europa”.


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