O ouro atingiu esta quinta-feira um máximo de sete semanas, superando a barreira dos 4.300 dólares por onça. Atualmente a matéria-prima está a negociar nos 4.334 dólares por onça.
“O metal precioso mantém-se em alta pela terceira sessão consecutiva, sustentado pelo crescente otimismo de que os Estados Unidos e o Irão possam alcançar um acordo de paz que permita a reabertura do Estreito de Ormuz. Este otimismo reforçou as expectativas de uma nova descida dos preços do petróleo e do gás natural, aliviando as pressões inflacionistas e enfraquecendo os argumentos a favor da manutenção das taxas de juro em níveis elevados durante mais tempo por parte dos bancos centrais”, disse o CEO da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista.
Para Ricardo Evangelista esta dinâmica é “particularmente relevante” no caso da Reserva Federal norte-americana (Fed), tendo em conta a relação inversa entre o dólar e o ouro. “Apesar das perspetivas cada vez mais positivas de um desfecho negociado para o conflito entre os Estados Unidos e o Irão, os mercados continuam a antecipar que a Reserva Federal poderá realizar pelo menos mais uma subida das taxas de juro antes do final do ano”, adiantou.
“Neste contexto, a atenção dos investidores centra-se agora na divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano, culminando com o relatório de emprego Non-Farm Payrolls na sexta-feira. Indicadores robustos do mercado laboral reforçariam os argumentos a favor de custos de financiamento mais elevados, apoiando o dólar norte-americano e, muito provavelmente, exercendo pressão sobre o preço do ouro. Em contrapartida, um conjunto de dados de emprego abaixo das expectativas poderá levar os responsáveis da Reserva Federal a reavaliar a necessidade de um novo aperto da política monetária, pressionando novamente o dólar e criando margem para novas valorizações do metal precioso”, considera o CEO da ActivTrades Europe.
O analista de mercado da IG, Tony Sycamore, disse, citado pela CNBC, que a “forte subida” [do ouro] ocorreu no meio do “crescente otimismo” de que um avanço diplomático no Médio Oriente está perto de ser finalizado. “Isto, por sua vez, manteria a pressão descendente sobre os preços do petróleo e reduziria a necessidade de os bancos centrais aumentarem as taxas de juro, proporcionando um claro impulso para o ouro”, defendeu.
Analistas do ANZ, citados pelo Investing, referiram que a subida no preço do ouro “ganhou impulso com a redução das expectativas” de reabertura do Estreito de Ormuz, o que “diminuiu as pressões inflacionistas e tornou menos provável a ocorrência de novos aumentos das taxas de juro” por parte da Fed.
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