O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, disse hoje que toda a administração do Banco Espírito Santo (BES) foi chamada a cumprir as determinações do supervisor, nomeadamente o afastamento da família Espírito Santo.
Durante o período de maior crise, toda a administração do BES, que integrava 25 pessoas, a maioria com “larga experiência” no setor bancário, foi sendo alertada das determinações do banco central, nomeadamente no que refere ao afastamento dos elementos da família Espírito Santo dos órgãos de administração e gestão do BES.
“Todos foram chamados a assegurar o seu cumprimento”, declarou o governador, que falava na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES, que hoje arranca.
Na intervenção inicial perante os deputados, Carlos Costa revelou que a renúncia dos elementos da família Espírito Santo nos cargos do BES foi uma das exigências do BdP.
Posteriormente, numa resposta a uma questão do deputado do PS Pedro Nuno Santos, Carlos Costa realçou que o supervisor não tinha poderes consagrados na lei para afastar a equipa de gestão do BES, liderada por Ricardo Salgado, mais cedo do que fez.
Questionado sobre se o envolvimento do antigo presidente do BES no caso Monte Branco ou em situações de evasão fiscal não deveria ter levado o BdP a reagir e a afastá-lo mais cedo da liderança do banco, Carlos Costa disse que tal não era possível à luz da lei.
“A questão é: se eu pudesse, faria?”, lançou o governador.
Depois, em resposta a uma pergunta de Cecília Meireles, do CDS-PP, Carlos Costa lembrou que o BES era uma sociedade cotada e que a solução poderia ter arrancado pelo lado dos acionistas.
“Se eu tivesse os poderes e soubesse o que sei hoje tinha convidado os acionistas e começado a resolver a questão pelo lado dos acionistas”, reconhece Carlos Costa.
OJE/Lusa
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