Ponta Delgada, sala Acácia do Hotel Royal Garden. Luísa Vasconcelos está de frente para a mesa onde se sentam 14 pessoas. Rui Rodrigues, administrador da Futurismo, empresa parceira para as atividades em outdoor e responsável pelo passeio de jipe no segundo dia desta formação, é o único que começou a “viagem” em casa. Todos os outros, incluindo Luísa, natural da ilha de S. Miguel, mas radicada em Lisboa, onde exerce o seu trabalho como consultora, atravessaram o oceano.
“Há quatro anos, depois de 10 numa multinacional, decidi criar o meu próprio projeto ligado à formação e ao desenvolvimento do potencial humano e corporativo”, explica ao Jornal Económico, ainda sentada no A320 da Azores Airlines. Se bem o pensou, melhor o fez. Em 2013 criou a Power2 Blos som com o objetivo de treinar executivos, empreendedores e equipas para adquirirem competências que lhes permitam atuar diariamente na obtenção de resultados eficazes nas suas empresas. “Manter o foco e a energia com todo o tipo de desafios que se colocam nos dias de hoje requer um treino constante”, diz.
O lançamento do Retiro Corporativo nos Açores arranca às 10 da manhã com a apresentação, por Teresa Martins, da parceria com a “Academia Fale Menos – Comunique Mais Carla Rocha”. A seguir, Luísa Vasconcelos intro duz a metodologia Power2 Blossom, cuja fórmula incide em trabalhar o treino mental, o autoconhecimento e a comunicação. A especialista em coaching estratégico começa por explicar que “no vos tempos requerem novos formatos de treino”. A sua metodologia permite melhorar o desempenho nas empresas, levando as equipas para o cenário inspirador dos Açores e, com base no treino experiencial, trabalhar competências em profundidade.
“No fundo, é retirarmos as equipas do seu contexto natural de trabalho e, assim, maximizar os insights. Isso permite estimular a criatividade e realinhar as equipas segundo os objetivos da empresa”, explica, acrescentando que o próprio cenário atua como interveniente na formação, “como ativador e criador de memórias”. Daí as atividades out do or como observação de baleias, safaris de jeep ou outras que incentivem a interação, mas também a introspeção.
Luísa Vasconcelos desenvolve em sala cada um dos componentes desta metodologia inovadora que permite trabalhar, de facto, a liderança pessoal e profissional em profundidade. Virada para o auditório, pergunta: “Como se chega ao estado de flow?”. Inês Guimarães Correia, jovem empreendedora, levanta um braço. A sessão prossegue com os participantes a listarem num papel os seus feitos, obrigando a uma reflexão intimista. Segue-se outro exercício prático. José Franco, fundador da agência CorpCom, levanta-se para escolher uma fotografia que ilustre um momento de felicidade.
Mostra duas crianças em pose ternurenta e partilha: “A minha motivação de vida são projetos, mas o meu maior projeto são os meus filhos.” Bárbara Filipa Pinheiro, solicitadora de Matosinhos, foi desafiada a reviver uma história de medo. Adriana Reais Pinto, criadora da marca Barriga de Freira, que integra este programa enquanto experiência gastronómica, partilha um momento de surpresa.
O objetivo deste exercício é a identificação das características da linguagem corporal associadas a cada emoção. Para conseguirem alcançar o objetivo, os participantes tiveram de “zerar”, ou seja, focar a sua atenção plena nos narradores. Como exercício final, cada um foi chamado a selecionar uma imagem que traduzisse o que estava a sentir. “Liderar não é estar acima, é mostrar o caminho e esta formação ajudou-me a clarificar esse caminho em equipa”, indica Catarina Amorim, partner da CorpCom. Os elementos do grupo olham para a fotografia: as mãos juntam-se, formando um círculo concêntrico. Uma metáfora que reflete a forma como os participantes estão a sentir-se no final da sessão e cuja legenda é Leadership.
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