O Kuwait foi pela primeira vez aos mercados de dívida soberana, na semana passada, para compensar a queda das receitas do petróleo. Duas emissões no total de 8 mil milhões de dólares nos mercados internacionais foram a estreia deste Estado do Golfo Pérsico no mercado da dívida soberana.
Os Estados do Médio Oriente têm tentado compensar a quebra das receitas do petróleo com algumas emissões de dívida para investidores internacionais e alguns deles quiseram criar agências de gestão de dívida, com modelos de funcionamento semelhantes aos do IGCP em Portugal. O Kuwait, com essa finalidade, contratou a consultora Oliver Wyman para montar uma entidade de gestão de dívida pública e a esta consultora recrutou João Moreira Rato, ex-presidente do IGCP, para montar essa agência.
Para emissões de dívida do Kuwait que somam 8 mil milhões de dólares (7,42 mil milhões de euros) houve uma procura de 20 mil milhões de dólares por parte dos investidores.
O país fez uma emissão de Obrigações do Tesouro (bonds) a 5 anos no valor de 3,5 mil milhões de dólares e de OT a 10 anos no montante de 4,5 mil milhões de dólares, com taxas (yields) de 2,8% e 3,6% respectivamente (abaixo do preço das OT a 10 anos portuguesas, cuja taxa está em 3,8%).
O Kuwait fez a sua estreia de títulos no mercado depois da reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos, na quarta-feira anterior, na qual foi anunciada uma subida das taxas de juros dos EUA – um movimento que pode desencadear um aumento do rendimentos das obrigações a nível global.
No ano passado, a Arábia Saudita estreou-se nos mercados internacionais de dívida soberana com uma emissão de 17,5 mil milhões de dólares.
A venda de dívida do Kuwait foi liderada pelo Citi, HSBC e JPMorgan, com a ajuda do Deutsche Bank, NBK Capital e Standard Chartered.
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