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Cortefiel: “Futuro vai passar por investir em lojas de rua”

O country manager do grupo Cortefiel em Portugal, Paulo Carvalho, diz que o crescimento do grupo através da abertura de novas lojas em centros comerciais está a esgotar-se, porque o mercado é finito. O futuro passa por investir em lojas de rua, que hoje são apenas 5 numa rede de 141 estabelecimentos. Mas continuar a […]
Cortefiel
26 Outubro 2017, 06h45

O country manager do grupo Cortefiel em Portugal, Paulo Carvalho, diz que o crescimento do grupo através da abertura de novas lojas em centros comerciais está a esgotar-se, porque o mercado é finito. O futuro passa por investir em lojas de rua, que hoje são apenas 5 numa rede de 141 estabelecimentos. Mas continuar a investir. “Estimo que, para o ano, o grupo possa ter 150 lojas”, diz, em entrevista ao Jornal Económico.

 

Como tem sido a evolução do grupo Cortefiel nos últimos anos?
Mesmo em tempos de crise, em que houve um ano ou outro em que as coisas foram mais complicadas, o grupo cresceu sempre, porque apostou muito na expansão, especialmente em duas marcas – Springfield e Women’s Secret –, mais na Springfield, mas a Women’s Secret também cresceu bastante. Os últimos cinco anos foram de crescimento físico de lojas em Portugal. Passámos de 117 lojas em 2012, para 141 em 2017. Antes, a Springfield já tinha tido um crescimento muito forte. Em 2007, tinha 24 lojas e hoje tem 60. Foi, de facto, a marca que mais cresceu. A Women’s Secret, nos últimos cinco anos, também cresceu 10 lojas. A Cortefiel teve um crescimento mais moderado, cresceu três lojas. E a Fifty, a marca que utilizamos no grupo para os outlets, teve durante muitos anos quatro lojas e no ano passado deu o salto para oito.

O grupo tem apostado nos centros comerciais, mercado em que as oportunidades começam a escassear. O futuro da expansão passa pelas lojas de rua?
Exatamente. Em primeiro lugar, por causa do turismo – recebemos milhões de turistas e essas pessoas não vão para os centros comerciais. Hoje em dia, a Rua Augusta tem mais tráfego do que qualquer centro comercial e, mesmo, que o Chiado. Em termos de grupo Cortefiel, a nossa estratégia em Portugal, tendo esta cobertura já tão forte, passa por encontrar locais estratégicos. Neste momento procuro locais na Avenida da Igreja, nos Restauradores, na Avenida da Liberdade e no Saldanha.

Qual o peso das lojas de rua na estrutura atual da rede?
Neste momento, só temos três lojas de rua em Lisboa: rua Augusta, Chiado e Guerra Junqueiro; e uma em Braga. Das 141, temos cinco. Seis, se contarmos com uma Women’s Secret que está dentro da Cortefiel. O futuro, dado o crescimento registado e a grande cobertura que temos no país, passa por aqui. As alternativas em centros comerciais esgotam-se e com as aberturas previstas dos centros comerciais de Évora e de Loulé, as hipóteses começam a ficar muito reduzidas.

Qual foi a âncora da evolução?
Mais Springfield. Nos últimos anos, a Springfield tem tido um peso de 45% nas vendas do grupo, alavancando e sustentando todo este negócio. Há dez anos, a Cortefiel tinha mais venda que a Springfield. Hoje representa 25% e a Women’s Secret outro tanto. A Springfield é a marca motor, porque abrimos muitas lojas e reformámos as existentes – agora estamos a alterar o conceito, outra vez, para lojas mais claras. A Women’s Secret é, neste momento, uma marca fortíssima. A Cortefiel é uma marca que, pelo número de lojas – com 1.000 m2 ou mais –, tem uma venda bastante significativa, mas depois, em termos de resultados, são mais baixos, porque tem custos mais elevados. Estamos a falar de negócios distintos. Nos últimos tempos, a Cortefiel teve uma gestão distinta. Tentou-se fazer, estrategicamente, um reposicionamento da marca, com preços um pouco mais baixos, para se aproximar mais de uma concorrência que não era a nossa. Não resultou. Tivemos de dar um passo atrás, repensar e, hoje, com praticamente o mesmo número de lojas em Portugal, está a crescer a dois dígitos.

Quais são os objetivos ao nível do número de lojas?
Estimo que, para o ano, o grupo possa ter 150 lojas. Hoje temos 141, até ao final do próximo ano civil eu diria 150 lojas e, nos próximos cinco anos, 170. Mas terei de ter muita criatividade e imaginação para abrir mais 20 lojas neste mercado.

Que investimento vai ser feito?
Em Portugal, o investimento visa dar maior conforto aos clientes, ou seja, reformar lojas, colocá-las com novo conceito, dar-lhes uma imagem e uma dinâmica diferente. Fisicamente, não faz sentido novas lojas. O que faz sentido é [investir em] lojas que para nós são estratégicas, muito rentáveis, que carecem de investimento e que podem ser potenciadas. Nomeadamente, a Cortefiel, que são aquelas lojas que mais necessitam [de investimento]. Até porque, de alguma forma, em termos de espaço, são distintas. Se calhar, pontualmente, em determinadas lojas, em vez de termos os tais 1.000 ou 1.200 m2, se calhar temos 800 ou 900 m2. Ou seja, redimensionar, garantindo a mesma rentabilidade e a exposição das mesmas colecções, mas com menos custos.


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