A Joon, designada a companhia de ‘nova geração’ do Grupo Air France/KLM, vai disponibilizar a partir do próximo fim-de-semana 28 voos semanais e três semanais, respectivamente de Lisboa e do Porto para o ‘hub’ do grupo no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.
A nova empresa do Grupo Air France/KLM está a lançar uma promoção com tarifas desde 39 euros, para voos de ida simples e com todas as taxas incluídas), para reservas até amanhã, quarta-feira, dia 6 de dezembro.
Em entrevista ao Jornal Económico, Boris Darceaux, diretor-geral da Joon, explica quais as vantagens desta nova insígnia da aviação e antevê um crescimento de dois dígitos na capacidade de transporte de passageiros disponibilizada pela companhia aérea nos aeroportos nacionais.
O que é precisamente a Joon?
A Joon é uma empresa-mãe da Air France, que vai operar algumas rotas da Air France. Se comprar bilhetes Air France, vai beneficiar dos serviços de ‘check-in’, reservas e ‘lounge’ da Air France, mas irá beneficiar de um novo serviço de cabine da Joon, que se pretende assumir como “um novo sabor’ dentro da oferta de serviços da Air France. Esperamos um crescimento da oferta de capacidade de dois dígitos nos voos que escalam os aeroportos portugueses.
A Joon só vai estar disponível nas rotas para os aeroportos de Lisboa e do Porto ou estão previstos novos aeroportos nacionais a escalar pela companhia?
A Joon vai estar disponível nas frotas que incluem os destinos portugueses Lisboa e o Porto, com quatro aviões Airbus A-320. Lisboa e o Porto estão na primeira fila dos destinos europeus de médio curso escalados pela Joon, a par de Barcelona e de Berlim. Quero também esclarecer que não está previsto substituirmo-nos à Air France. Não está previsto neste momento, passarmos a voar para outros aeroportos portugueses.
Está previsto reforçar as frequências dos voos para Lisboa e para o Porto?
Quanto ao aumento da frequência dos nossos voos para Lisboa e para o Porto, é uma coisa que teremos de ver depois. É bom referir que a KLM, do grupo Air France, também vai desenvolver muito a operação no Porto, indo duplicar as frequências para Amesterdão a partir de Maio. Tudo isto representa uma nova série de oportunidades para os portugueses e os turistas em geral poderem aceder aos ‘hubs’ de Paris (Charles de Gaulle) e de Amesterdão (Schipol) a partir de Lisboa e do Porto.
Quantos passageiros transportaram a Air France e a KLM no ano passado a partir dos aeroportos nacionais?
Em 2017, o grupo Air France/KLM transportou 800 mil passageiros, não só portugueses, como é claro, nas rotas entre Paris e Amesterdão e os dois aeroportos portugueses que servimos. Face a 2016, registámos um crescimento de 20%. Para 2018, com este reforço da oferta também esperamos um forte crescimento de tráfego de passageiros entre estes destinos.
Além do crescimento em Portugal, quais os planos da Joon a nível geral?
Nos próximos anos, temos previsto um crescimento de aviões, para cerca de 18 nos destinos de médio curso e mais 10 para os voos de longo curso. Entre os destinos de médio curso, destaco Roma, Nápoles, Istambul e Oslo. Nos destinos de longo curso, saliento Mahe, nas Seychelles; Fortaleza, cidade do Cabo, Cairo e Teerão.
Mas, em relação à Air France, por exemplo, qual a grande diferença que a Joon vai ofefrecer aos seus clientes?
Na Joon, queremos testar e proporcionar novas experiências, mantendo os elevados níveis de serviço da Air France. Iremos disponibilizar uma janela digital para que os nossos clientes tenham acesso a poder fazer ‘stream’ de forma gratuita, numa plataforma que designámos ‘You Joon’. Vamos ter novas experiências gastronómicas com oferta de produtos locais e um mínimo de 20% de produtos orgânicos. Um dos produtos que destaco nesta nova oferta da Joon é o sumo de baobá. O nosso espírito é um pouco de experiências de ‘start up’. Até os uniformes do pessoal de cabina são mais modernos. Queremos proporcionar uma experiência mais fresca e com mais excitação.
E qual a nova oferta da Joon em termos de destinos?
Temos dado grande destaque à China, mas também a Fortaleza, no Brasil, que iremos abrir no verão, em parceria com a GOL, e que permitirá voar depois para todas as principais cidades do país, assim como a Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai, por exemplo. A partir de Lisboa, com a parceria da Air France/KLM com a Delta Airlines, já se pode voar para Nova Iorque. A partir do próximo verão, vai ser possível voar para Atlanta, o maior ‘hub’ aeroportuário do Mundo, sendo possível voar para todos os destinos dos Estados Unidos e do Canadá. Pensamos que temos serviços que se irão encaixar com a procura do mercado nacional, como sejam os mercados da China e da Rússia, por exemplo, sem esquecer Angola. Além disso, o nosso grupo serve hoje 115 países.
Quais os segmentos de passageiros alvos da Joon?
Em termos de rotas, destinos e de ‘pricing’, a actividade da Joon vai centrar-se muito no segmento de negócios (‘business’), no tráfego para ‘city breaks’ ou para ‘big breaks, de duas a três semanas no segmento de lazer.
E por que é que Lisboa e o Porto ficaram na primeira linha dos novos destinos da Joon?
Concentrámo-nos em destinos que têm um mercado muito forte de turismo, ao longo de todo o ano. Mas também que são fortes na oferta de experiências culturais, adequados a ‘short breaks’, com muito boa reputação, com experiências ‘avant-garde’. Foi isso que nos levou a escolher numa primeira fase os destinos de Lisboa e do Porto. Portugal também é conhecido hoje em dia pelo grande desenvolvimento das novas tecnologias, de pequenas e médias empresas do sector, de ‘start ups’.
Qual a sua opinião sobre a questão do novo aeroporto internacional de Lisboa?
Não comentamos sobre decisões governamentais e de outras instâncias. Como é óbvio, pretendemos ter um aeroporto com uma boa qualidade de serviço para podermos também prestar um serviço de excelência ao nosso cliente, com taxas e custos razoáveis e com capacidade de expandirmos a nossa actividade.
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