O mês de julho verificou um crescimento de 4% na venda de automóveis usados em comparação com o período homólogo de 2019, revela um estudo do Standvirtual. Julho foi, em 2019, o mês mais fraco das vendas do Standvirtual antes da pandemia.
O barómetro do mercado automóvel mostrou ainda que se verificou um decréscimo de 2% face ao mesmo mês de 2020, altura durante a pandemia em que o mercado observou uma recuperação nas vendas.
Os dados apontam ainda que o primeiro semestre de 2021 teve uma quebra global de 15% na transferência de propriedade, em comparação a 2019, apesar de ter mostrado progressos face a 2020, quando se registou uma quebra de 17%.
“A escassez de oferta e a dificuldade de repor stocks faz com que os comerciantes tenham de pagar mais caro pelos veículos, o que se reflete também no preço para o consumidor final. Verifica-se ainda uma escassez de viaturas mais baratas até dez mil euros, mas também de viaturas no segmento seguinte de 20 mil euros, que a partir de março apresentam tendência de queda”, explica a empresa.
Relativamente ao mercado de novos automóveis, verificou-se uma quebra de 21,4% em julho de 2021 face ao mesmo mês de 2020, mas um crescimento de 18,1% no total do ano em comparação com o mesmo período de 2020. “No caso dos motociclos, triciclos e quadriciclos regista-se uma quebra de 10,5% em julho, mas uma variação anual de 20,4%”, adianta a empresa.
“Com o primeiro confinamento percebemos que, à porta fechada, não conseguíamos vender automóveis e nas redes sociais temos o nosso público. Elaborámos uma estratégia em que fazemos passatempos, promoções, sondagens e depois o apadrinhamento e recomendação por parte das figuras públicas. Isso trouxe-nos mais pessoas e mais clientes e está a correr muito bem. Nós tínhamos cerca de mil seguidores e agora temos 13 mil, o que significa um crescimento de 720%”, avança Cátia Serrano, administradora da Equação Motor, adiantando que a estratégia se focou nas redes sociais e no marketing de influências para aumentar as vendas.
Por sua vez, Américo Barroso, administrador da Só Barroso, admite que se focou nos problemas de abastecimento e respetivas consequências para o mercado. “Temos de ter cuidado com o preço que praticamos na venda. Estamos a vender carros que, se quisermos repor o stock, vamos pagar mais caro do que estamos a vender, nesta fase de escassez de produto”. “Neste momento, o mercado está desregulado e há ganância da parte da compra. Há leilões online a vender aos profissionais por preços superiores carros que estavam na plataforma de particulares. Se o mercado daqui a três ou quatro meses normalizar, para ter stock será preciso perder uma fortuna para recolocar o produto no mercado. É preferível não comprar do que fazer loucuras”, alerta.
“Com a pandemia as pessoas informaram-se mais e estão a pensar mais no elétrico, mas temos uma grande diferença entre receber um lead e a venda efetiva de um carro, existem muitos contactos que são ainda curiosidade. Temos uma média para converter a venda que é mais comprida. Se um carro a gasóleo demora um ou dois meses, no nosso caso é entre seis meses e um ano”, menciona Daniel Seixas, CEO da Byrd Going Electric.
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