A crise humanitária após o ataque a Palma, norte de Moçambique, levando milhares para os portões do projeto de gás da Total, transformou voos logísticos da ONU em operações excecionais de salvamento, explicou à Lusa fonte do Programa Alimentar Mundial (PAM).
O Serviço Aéreo Humanitário da ONU (UNHAS, sigla inglesa) administrado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) apoiou “excecionalmente” a transferência “de civis, incluindo mulheres e crianças e pessoas gravemente feridas”.
“Entre 24 e 31 de março, o UNHAS evacuou [transferiu] um total de 380 pessoas”, esclareceu o PAM à Lusa.
Os voos “foram um trabalho excecional que o PAM estava a fazer para ajudar as pessoas mais vulneráveis (mulheres, crianças e doentes) que fugiam dos ataques”, uma vez que “o mandato da UNHAS é fornecer acesso para trabalhadores humanitários e carga a locais remotos”.
“Devido à deterioração da situação de segurança, interrompemos temporariamente os voos de evacuação de Afungi” com transporte para Pemba, mas o UNHAS “continuará o transporte de trabalhadores humanitários e carga para outras operações do PAM na província de Cabo Delgado”, acrescentou.
A Organização Internacional das Migrações (OIM) estima que 23.000 deslocados continuem às portas do projeto de gás da Total, maior investimento privado em África, referiu em resposta a questões colocadas pela Lusa.
“Há uma estimativa de 23.000 deslocados internos atualmente em Afungi, Quitunda, uma vez que não há um número exato, confirmado, nesse local”, explicou.
A equipe da OIM “não é capaz de visitar, avaliar, a situação” devido “a questões de segurança”, esclareceu.
Fonte oficial do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) de Moçambique disse na sexta-feira à Lusa que “tudo” está a ser feito para garantir um regresso à “normalidade” no distrito de Palma.
“Pemba já esta saturada e o que estamos a fazer é criar condições para que as pessoas possam continuar” no distrito, referiu.
Segundo a mesma fonte, trata-se de um trabalho conjunto com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e, ao mesmo tempo, assistência alimentar está a ser enviada por via marítima.
As autoridades moçambicanas retomaram o controlo da vila de Palma, atacada a 24 de março por grupos rebeldes, provocando dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.
Cerca de 14.500 pessoas fugiram para outros distritos de Cabo Delgado e estima-se que 23.000 permaneçam refugiadas junto ao projeto de gás da Total, maior investimento privado em África, segundo dados da Organização Internacional das Migrações (OIM).
Os grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista ‘ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes e 700.000 mil deslocados.
O ataque a Palma levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projeto de gás em construção na península de Afungi, com início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expetativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.
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