Nem a escassez de chips conseguiu condicionar a produção e respetivas vendas de veículos da Tesla. Segundo os dados divulgados pela “CNN”, esta segunda-feira, a empresa de Elon Musk vendeu 308,6 mil veículos no quarto trimestre, o que se traduz num aumento de 71% ao mesmo período de 2020 e acima da marca de 900 mil anuais que tinha sido a meta estabelecida por muitos analistas.
Os 936 mil veículos vendidos representam um aumento anual de 87,4% em 2021, face a 2020, ano em que foram vendidos 499,5 mil automóveis produzidos pela empresa de Elon Musk. Este é o segundo maior aumento registado pela construtora norte-americana, após em 2018 ter passado de 103,1 mil veículos vendidos para 245,2 mil, que representou um aumento de 137,8%.
Os analistas consultados pela Finbold apontam para que em 2022 as vendas da Tesla cresçam 64,9% face a 2021, o que significa que a construtora de Elon Musk atingirá os 1,5 milhões de veículos vendidos. Os fatores apontados como justificação para a estimativa apresentada, prende-se com a média histórica de crescimento percentual anual da Tesla entre 2014 e 2021.
Segundo Dan Ives, analista da Wedbush Securities, tendo em conta “a escassez de chips como grande obstáculo no sector automóvel e problemas logísticos em todo o mundo, estes números foram de cair o queixo”.
O analista acrescentou que as previsões de Wall Street de 265 mil veículos Tesla vendidos no quarto trimestre teriam levado as vendas do ano inteiro para 892 mil. A meta de 900 mil que a Tesla superou facilmente foi o “melhor desfecho possível”.
Espera-se que outras construtoras revelem os números sobre as vendas no quarto trimestre quando forem divulgados os números dos EUA na próxima semana. A Tesla relata apenas as vendas globais, mas as vendas globais de automóveis em toda a indústria devem ser amplamente menores no quarto trimestre.
A Cox Automotive prevê que as vendas gerais do quarto trimestre nos EUA cairão 24% devido à escassez de chips, que fez com que as fábricas encerrassem temporariamente, limitassem o stock de veículos nas concessionárias e elevassem os preços dos carros para níveis recorde.
“A indústria ficou sem veículos e as vendas pararam no segundo semestre”, disse Charlie Chesbrough, economista da Cox Automotive. “As vendas totais na segunda metade de 2021 foram as mais lentas numa década. A procura está saudável, mas as interrupções no fornecimento e na produção mantiveram a indústria sob controlo. Não se pode vender o que não se tem”.
A Tesla teve os seus próprios problemas de escassez de chips durante o ano, mas foi capaz de lidar com eles melhor que os seus rivais. A conquista da fabricante de veículos elétricos foi mais impressionante tendo em conta que enfrenta uma concorrência cada vez maior das construtoras tradicionais, que oferecem agora mais modelos de veículos elétricos.
A Tesla previu que, com as novas fábricas nos EUA e Alemanha prestes a iniciar a produção em grande escala em 2022, deverá ter um crescimento anual das vendas globais de 50% ou mais, pelo menos nos próximos anos.
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