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Capoulas Santos relativiza problema da seca e lembra investimentos no Alqueva

O antigo ministro da Agricultura e atual deputado socialista lembrou que, historicamente, são recorrentes os anos de seca em Portugal. Sem confirmar ou desmentir qualquer cargo no próximo Executivo, Capoulas Santos concorda que um Governo “mais pequeno” pode ser positivo.
12 Fevereiro 2022, 21h44

O antigo ministro da Agricultura Luís Capoulas Santos apelou a que se relativize o problema da seca, lembrando o registo histórico de longos e frequentes períodos sem chuva, particularmente no sul do país, e mostrando-se desfavorável a uma revisão dos acordos hídricos com Espanha, visto que estes favorecem, na sua opinião, o nosso país.

Em entrevista à Antena 1 e ao ‘Jornal de Negócios’, o deputado do PS ressalvou que a questão da seca “não é nova”, recordando que as observações meteorológicas mostram que costuma haver períodos de alguns anos de seca “a cada dez, treze anos”.

“Nesta matéria, muito tem sido feito para combater a seca. Fez-se o maior investimento público em Portugal, o Alqueva, que tem neste momento um investimento de fundos públicos de mais de dois mil milhões de euros e o privado mais de quatro mil milhões de euros […]. Acho que temos de ser cautelosos”, afirmou Capoulas Santos.

Para o antigo governante, não faz sentido Portugal equacionar reabrir negociações com Espanha sobre a gestão dos recursos hídricos; ao invés, o acordo em vigor “é-nos altamente favorável” e qualquer revisão suscita em Capoulas Santos “dúvidas que consigamos obter resultados melhores do que aqueles que já dispomos.”

“O que se trata é de uma franca cooperação e uma monitorização, porque não basta que os nossos vizinhos espanhóis cumpram as quantidades a que estão obrigados, o que interessa é que as cumpram de forma regular e distribuída ao longo do ano”, alertou.

O atual deputado socialista aproveitou ainda para sublinhar a necessidade de respeitar “a confiança dos cidadãos e dos empresários” que resultou na maioria absoluta do seu partido, falando num grande capital “que não pode ser desbaratado”. Para o antigo ministro da Agricultura, a responsabilidade que recai agora nos ombros do Executivo e, sobretudo, de António Costa não pode ser desperdiçada, mas afastou-se de qualquer compromisso com a pasta que já ocupou.

Ainda assim, um Governo “mais pequeno, mais ágil” poderia ser benéfico e algo com que concordaria, admitindo mesmo “várias configurações possíveis” para uma fusão da pasta da Agricultura com outros ministérios.


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