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Respostas Rápidas. Rússia é o maior fornecedor de energia da UE. Como quer Bruxelas reduzir a dependência?

A União Europeia anunciou hoje medidas para travar a dependência do gás e petróleo russo.
Vladimir Putin
8 Março 2022, 17h25

A União Europeia está dependente do exterior para abastecer 60% das suas necessidades energéticas, e em particular da Rússia. A Comissão Europeia anunciou hoje medidas para limitar esta dependência.

No sector do gás, a Rússia abasteceu 45% das importações totais da UE em 2021, sendo que a média dos últimos anos tem rondado os 40%. Segue-se a Noruega (23%), Argélia (12%), Estados Unidos (6%) e Qatar (5%).

No caso do crude, a Rússia também foi o maior fornecedor externo (27% do consumo), seguido da Noruega (8%), Cazaquistão (8%) e Estados Unidos (8%).

No caso do carvão, a Rússia também é o maior fornecedor (46%), seguido dos Estados Unidos (15%) e da Austrália (13%).

“Apesar da produção interna de energias renováveis ter aumentado significativamente nos últimos anos, a redução de produção de carvão, lignite e gás significa que a União Europeia está dependente das importações para se abastecer de gás (90% do consumo), petróleo (97%) e carvão (70%)”, segundo um documento divulgado esta terça-feira pela Comissão Europeia.

Qual a medida que Bruxelas vai tomar no gás natural?

A União Europeia vai reduzir em dois terços a compra de gás russo até ao fim deste ano. A decisão foi hoje anunciada pela Comissão Europeia em consequência da invasão russa da Ucrânia.

A substituição de gás russo, que chega na sua maioria à UE através de gasoduto, vai ter lugar através da importação de mais gás natural liquefeito (LNG) por navio e mais importações através de gasodutos.

A Comissão Europeia quer diversificar os fornecedores de gás natural para fugir à dependência russa. “Diversificar os fornecimentos de gás, através do aumento do gás natural liquefeito (GNL) e das importações via gasoduto de fornecedores não-russos”, segundo a Comissão Europeia.

As importações de GNL atingiram os 10 mil milhões de metros cúbicos em janeiro (bcm), a quantidade mais elevada de sempre. E Bruxelas acredita que o bloco tem a capacidade para “importar mais 50 mil milhões de metros cúbicos de GNL numa base anual”.

A CE destacou o corredor de gás do sul que transporta gás do Azerbaijão. E também destacou uma maior cooperação com países que vendem gás à Europa através de GNL e de gasodutos: como a Noruega, Qatar, Japão, Coreia do Sul, Nigéria, Turquia, Argélia, Egipto, e Estados Unidos da América.

Há mais medidas para o gás?

Sim. A Comissão vai obrigar os estados-membros a terem uma reserva mínima de 90% de gás natural até 1 de outubro de cada ano. A proposta legislativa vai ser apresentada em abril. O armazenamento de gás habitualmente abastece entre 25% a 30% do consumo de gás europeu no inverno. A Comissão também vai debater o reembolso total das tarifas nos pontos de armazenamento. Devido ao facto de nem todos os estados-membros terem armazenamento de gás, a Comissão apela aos países a aumentar o armazenamento antes do próximo inverno.

Que outras medidas prevê a CE?

A Comissão acredita que o aumento da produção de biometano e de hidrogénio verde também vai ser essencial para substituir o gás russo.

Ao mesmo tempo, a Comissão encoraja o aumento da produção a partir da energia solar e eólica e também o maior uso de bombas de aquecimento.

Nas suas contas, se forem instalados sistemas de energia solar fotovoltaica nos telhados em toda a UE num total de 15 terawatts hora este ano, vai ser possível poupar 2,5 milhões de metros cúbicos de gás.

Simultaneamente, a instalação de 10 milhões de bombas de calor nos próximos cinco anos vai “ajudar as famílias europeias a reduzir a sua dependência no gás e ajudar a reduzir a sua fatura de energia”, segundo a CE.

Foram anunciadas medidas para a eletricidade?

Sim. A Comissão também anunciou que “no atual estado excecional” os países vão poder “regular preços para os consumidores vulneráveis, famílias e micro-empresas de forma a proteger os consumidores e a nossa economia”.

Paralelamente, a Comissão também confirma que os estados-membros podem “considerar medidas fiscais temporárias sobre os lucros inesperados e excecionalmente decidir capturar parte desses retornos para redistribuição pelos consumidores”.

“Estas medidas precisam de cumprir certos critérios para assegurar que são proporcionais, limitados no tempo e que evitam certas distorções de mercado”, acrescenta a Comissão.


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