Embora ganhem cada vez mais relevância no debate público, o tema dos riscos ambientais, sociais e de governance (ESG) continuam a não constar na maioria das agendas das empresas cotadas em bolsa. A conclusão é de um estudo da consultora Marsh, divulgado esta terça-feira, que diz que a falta de atenção a estes critérios “está a criar lacunas preocupantes na avaliação e mitigação destes riscos crescentes”.
O “Evaluating ESG and pandemic risk reporting trends: FTSE 100 and global exchanges risk analysis 2021”, analisa os relatórios anuais das empresas que compõem o índice FTSE100, bem como de 60 empresas líderes listadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque, na Euronext e na Bolsa de Valores de Hong Kong, abrangendo os relatórios divulgados entre julho de 2020 e julho de 2021. A análise identifica tendências nos relatórios de ESG e avalia o nível de preparação das empresas para dar resposta a futuros riscos relacionados com o ESG e com a pandemia.
De acordo com a análise da Marsh, as empresas listadas na Euronext “são as mais preocupadas com a exposição a riscos de ESG”, sendo que 90% da amostra refere que “esta é uma prioridade fundamental nos seus relatórios anuais” — uma realidade que não se verifica quando se analisa a posição das empresas da Bolsa de Valores de Nova Iorque inquiridas.
De acordo com a Marsh, das empresas inquiridas da Bolsa de Valores de Nova Iorque, apenas 35% identificaram os critérios ambientais, sociais e governamentais como um “risco prioritário”, e 30% das empresas cotadas na Bolsa de Valores de Hong Kong concordaram. Além disso, apenas um quinto (21%) das empresas cotadas no FTSE100 consideraram o ESG como o principal risco nos seus relatórios anuais.
A consultora explica ainda que, embora quase todas as organizações inquiridas tenham incluído os riscos ambientais nas principais secções de risco dos seus relatórios anuais, no geral, “a responsabilidade social foi pouco referida – o que aponta para um foco no aspeto ambiental da avaliação de ESG, transversal a todos os setores”, frisam.
Em comunicado, Fernando Chaves, especialista de risco da Marsh Portugal afirma que “a crescente consciencialização do público e dos investidores em relação às questões ESG significa que os conselhos de administração são cada vez mais obrigados a dedicar mais tempo e recursos à gestão dos aspetos sociais e de governação dos riscos de ESG”.
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