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Gestoras de ativos espanholas de olhos postos na bolsa portuguesa

Dentro das 15 companhias que compõem o PSI, os gestores de ativos de empresas espanholas olham para as utilities como GreenVolt e EDP (e ainda para a sua subsidiária EDP Renováveis), para a petrolífera Galp, para as produtoras de papel Altri, Semapa e a sua subsidiária Navigator. Mas também para empresas de retalho alimentar como a Jerónimo Martins, para a fabricante de produtos cortiça, Corticeira Amorim, entre outras, avança o El Economista.
4 Abril 2022, 13h05

Quem diria que a bolsa portuguesa está na moda entre os gestores de ativos do país vizinho? Mas o tema faz notícia no jornal online El Economista.

Citando responsáveis de algumas gestoras de ativos, o site noticioso justifica que o PSI está a ser negociado em máximos de 2015, o que reflete “o interesse dos investidores num mercado que, embora não seja grande, oferece oportunidades”.

“Espanha e Portugal têm demonstrado que partilham muito mais do que uma península nos últimos dias e apesar do pouco acompanhamento que geralmente se faz do mercado português, não passa despercebido, de forma alguma, a grande parte dos investidores e gestores do mercado espanhol que encontram no algum títulos interessantes no país vizinho para completar suas carteiras”, lê-se no El Economista.

Segundo o mesmo artigo, a prova desse crescente interesse no mercado de capitais português é que o índice de referência, o PSI (que inclui as 15 maiores empresas do país) “está a negociar em máximos de 2015 nestes primeiros três meses do ano, e apesar da situação de inflação e de guerra, a valorização acumulada marcou perto de 7%, sendo o segundo mais positivo da Europa, superado apenas pelo norueguês desde na sua evolução desde o dia 1 de janeiro”.

O El Economista cita Gonzalo Sánchez, diretor de investimentos da Gesconsult e gestor de renda variável (ações) para a Iberia, que explica que Portugal “é um mercado muito pequeno e pouco líquido, com muito peso de alguns setores como eletricidade e matérias-primas e por isso é melhor avaliar título a títulos, porque há histórias interessantes”.

Já para Javier Ruiz, diretor de investimentos da Horos, “é um mercado que sempre foi atrativo porque conseguimos encontrar empresas com acionistas familiares, alinhados com os demais acionistas, geralmente bem administradas e com preços muito atrativos”.

Dentro das 15 companhias que compõem o PSI, os gestores de ativos de empresas espanholas olham para as utilities como GreenVolt e EDP (e ainda para a sua subsidiária EDP Renováveis), para a petrolífera Galp, para as produtoras de papel Altri, Semapa e a sua subsidiária Navigator. Mas também para empresas de retalho alimentar como a Jerónimo Martins, para a fabricante de produtos cortiça, Corticeira Amorim, entre outras.

“Destes 15, oito receberam recomendação de compra do consenso de analistas coletados pela FactSet enquanto apenas uma, Redes Energéticas Nacionais (REN), carrega um conselho de venda”, refere a notícia.

Um dos favoritos do gestor da Gesconsult é o Navigator, “líder europeu no seu setor com as maiores margens e custos controlados, numa altura em que os preços do papel vão manter-se elevados”. A sua empresa-mãe é a Semapa, que está cotada com desconto e é uma das opções de investimento da Horos: “Parece-nos a melhor forma de ter exposição à Navigator, do qual recebe dividendos muito atractivos, sem esquecer que já houve algumas tentativa de aquisição, embora a preços muito aquém do adequado”, afirma Ruiz da Horos, que destaca ainda a Sonae como uma das suas preferidas. “A nova gestão significou um antes e um depois, reduzindo as linhas de negócio menos rentáveis”, realça o gestor de ativos.

Algumas das empresas portuguesas fazem parte da carteira dos seus fundos de ações espanhóis há muito tempo, ao ponto de em algumas empresas monopolizarem uma parte significativa das suas participações acionistas.

Entre os 34 fundos que integram a liga de gestoras de ativos do elEconomista, verifica-se que a exposição média a empresas portuguesas é de 7,5%, mas há dez veículos de investimento em que ultrapassa os 10%.

Mas há fundos onde o peso supera os 20%. É o caso das Magallanes Iberian Equity M; Azvalor Iberia; Bestinver Bolsa; Cobas Iberia C e Dux Iberian Value. O fundo com maior exposição da carteira a empresas portuguesas é o gerido por Iván Martín, que tem até 26%, segundo os últimos dados da Morningstar, seguido do fundo Álvaro Guzmán e Fernando Bernad, com 23,5%, e a gerida por Ricardo Seixas, na empresa de investimento detida pela Acciona, com 21,79% e Francisco García Paramés, com 20,65%, avança o El Economista.

Empresas como a Semapa, a Ibersol ou os Correios de Portugal (CTT) são os nomes que mais se repetem nos fundos de ações, encontrando-se habitualmente entre as principais posições. No Magallanes Iberian Equity, por exemplo, a Semapa e os CTT estão em segundo e quinto lugar com um peso de 5,5% e 4,5%, respetivamente, enquanto na Azvalor Iberia a petrolífera Galp (8,5%) e a fabricante de papel Altri ( 4,9%) são as portuguesas preferidas.

No caso da Bestinver, o gestor de fundos é o português Ricardo Seixas e tem até seis empresas na carteira do seu fundo espanhol. São elas a Ibersol (5,1%) e Jerónimo Martins (4,7%), os CTT, a Galp, a Semapa e a EDP Renováveis.

Já o fundo gerido pela Paramés tem um peso maior da Semapa e conta ainda com a Ibersol (4%), Galp (3,2%), CTT (2,3%) e Sonaecom (0,97%), subsidiária do grupo Sonae dedicada a software, sistemas, telecomunicações e media.

 


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