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Maior produtora de petróleo e gás chinês prepara saída dos mercados ocidentais por recear sanções futuras

Os laços entre a China e o ocidente permanecem tensos por questões comerciais e de direitos humanos, e a tensão cresceu após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que Pequim recusa condenar.
13 Abril 2022, 19h21

A CNOOC, maior produtora offshore de petróleo e gás da China, já prepara a saída dos mercados britânico, norte-americano e canadiano, devido a preocupações de que os seus ativos possam fiar à mercê de sanções ocidentais no futuro, avança a “Reuters”.

Os laços entre a China e o ocidente permanecem tensos por questões comerciais e de direitos humanos, e a tensão cresceu após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que Pequim recusa condenar.

Os Estados Unidos disseram, na semana passada, que a China arrisca enfrentar consequências se ajudar a Rússia a evitar as sanções ocidentais que incluem medidas financeiras que restringem o acesso da Rússia a moeda estrangeira e dificultam o processamento de pagamentos internacionais.

Consultado pela “Reuters”, a CNOOC não quis comentar.

As empresas fazem revisões periódicas dos seus portefólios, mas a saída que está a ser preparada ocorreria menos de uma década após a estatal CNOOC ter entrado nos três países através de uma aquisição de 15 mil milhões de dólares (13,7 mil milhões de euros) pela canadiana Nexen, um acordo que transformou a produtora chinesa em líder global de produção destas matérias-primas.

Os ativos, que incluem participações em zonas no Mar do Norte, Golfo do México e grandes projetos canadianos de areias betuminosas, produzem cerca de 220 mil barris de petróleo por dia, segundo cálculos da “Reuters”.

No mês passado, a CNOOC contratou o Bank of America para preparar a venda dos seus ativos no Mar do Norte, que incluem uma participação numa das maiores zonas marítimas.

A CNOOC lançou uma revisão de portefólio global antes da listagem pública planeada na bolsa de valores de Xangai no final deste mês, que visa explorar financiamento alternativo após a saída das suas ações dos EUA em outubro passado.

A retirada foi parte de um movimento do governo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em 2020, que visava várias empresas chinesas que Washington disse serem de propriedade ou controladas pelas autoridades chinesas.

A CNOOC também tem aproveitado a subida nos preços do petróleo e do gás, impulsionada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, e espera atrair compradores à medida que os países ocidentais procuram desenvolver a produção doméstica para substituir a energia russa.

À medida que procura deixar o Ocidente, a CNOOC procura adquirir novos ativos na América do Sul e África, e também quer dar prioridade ao desenvolvimento de grandes e novas explorações no Brasil, Guiana e Uganda, segundo fontes consultadas pela “Reuters”.


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