Na sequência das declarações de José Luis Arnaut, Presidente do Conselho de Administração da ANA, no Parlamento, onde diz “que Portugal é o país de especialistas de aeroportos e que (fazer aeroportos) é um desporto nacional”, Pedro Castro, diretor da SkyExpert, responde dizendo “que são os aeroportos portugueses, em particular o de Lisboa, que parecem ser um ‘desporto’ para o Grupo Vinci, o concessionário de todos os aeroportos nacionais”.
O responsável pela empresa de consultoria especializada em transporte aéreo, aeroportos e turismo, acusa a Vinci de ter “o monopólio contratual total das nossas infraestruturas aeroportuárias”.
“A Vinci é um grupo francês de construção com negócios no setor energético, automoção industrial, de tecnologias de informação e comunicação para além de gerir concessões de tudo e mais alguma coisa e de operar mais de 50 aeroportos em todo o mundo, entre os quais Lisboa – no meio de tudo isto, qual a importância da Portela para este grupo?” questiona Pedro Castro.
“A Vinci beneficia de um estatuto único no nosso país” e diz que o facto de ter “o monopólio contratual total das nossas infraestruturas aeroportuárias”, contraria todas as recomendações das autoridades da concorrência”, afirma Pedro Castro.
“Mais grave ainda”, diz, “em 2020, o Tribunal de Contas divulgou um relatório no qual confirmou que o regulador da aviação civil, a ANAC, não garante uma regulação robusta, isenta e independente, em particular em relação à ANA”.
“O monopólio legal deste negócio associado à falta de uma regulação eficaz justificam certamente esta enorme falta de ambição e de empenho da ANA em cooperar e em criar verdadeiras soluções práticas para os seus utilizadores, passageiros e companhias aéreas”, acusa o responsável pela SkyExpert.
Pedro Castro qualifica como “supérfluas” no contexto atual de cancelamentos continuados de voos “as promessas de criação de um ‘chatbot’ a desenvolver por uma empresa da própria Vinci” ou as questões de melhoria dos tempos de espera no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras mencionadas na sessão do Parlamento.
“Outros gestores de aeroportos, como o de Paris, colocam o seu pessoal a distribuir águas e comida pelos utilizadores da sua infraestrutura e organizam camas de campanha no aeroporto de forma a providenciar algum conforto mínimo aos passageiros confrontados com a inexistência de alojamentos”, lembra.
“Infelizmente, nunca poderemos saber como é que um outro concessionário e gestor aeroportuário resolveria este problema num outro aeroporto nacional porque só temos a ANA/Vinci como referência”, lamenta Pedro Castro.
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