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SkyExpert acusa Vinci de ter “o monopólio contratual total das infraestruturas aeroportuárias”

Pedro Castro qualifica como “supérfluas” no contexto atual de cancelamentos continuados de voos “as promessas de criação de um ‘chatbot’ a desenvolver por uma empresa da própria Vinci” ou as questões de melhoria dos tempos de espera no Serviço de Estrangeiros e Fronteias mencionadas na sessão do Parlamento.
6 Julho 2022, 22h00

Na sequência das declarações de José Luis Arnaut,  Presidente do Conselho de Administração da ANA, no Parlamento, onde diz “que Portugal é o país de especialistas de aeroportos e que (fazer aeroportos) é um desporto nacional”, Pedro Castro, diretor da SkyExpert, responde dizendo “que são os aeroportos portugueses, em particular o de Lisboa, que parecem ser um ‘desporto’ para o Grupo Vinci, o concessionário de todos os aeroportos nacionais”.

O responsável pela empresa de consultoria especializada em transporte aéreo, aeroportos e turismo, acusa a Vinci de ter “o monopólio contratual total das nossas infraestruturas aeroportuárias”.

“A Vinci é um grupo francês de construção com negócios no setor energético, automoção industrial, de tecnologias de informação e comunicação para além de gerir concessões de tudo e mais alguma coisa e de operar mais de 50 aeroportos em todo o mundo, entre os quais Lisboa – no meio de tudo isto, qual a importância da Portela para este grupo?” questiona Pedro Castro.

“A Vinci beneficia de um estatuto único no nosso país” e diz que o facto de ter “o monopólio contratual total das nossas infraestruturas aeroportuárias”, contraria todas as recomendações das autoridades da concorrência”, afirma Pedro Castro.

“Mais grave ainda”, diz, “em 2020, o Tribunal de Contas divulgou um relatório no qual confirmou que o regulador da aviação civil, a ANAC, não garante uma regulação robusta, isenta e independente, em particular em relação à ANA”.

“O monopólio legal deste negócio associado à falta de uma regulação eficaz justificam certamente esta enorme falta de ambição e de empenho da ANA em cooperar e em criar verdadeiras soluções práticas para os seus utilizadores, passageiros e companhias aéreas”, acusa o responsável pela SkyExpert.

Pedro Castro qualifica como “supérfluas” no contexto atual de cancelamentos continuados de voos “as promessas de criação de um ‘chatbot’ a desenvolver por uma empresa da própria Vinci” ou as questões de melhoria dos tempos de espera no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras mencionadas na sessão do Parlamento.

“Outros gestores de aeroportos, como o de Paris, colocam o seu pessoal a distribuir águas e comida pelos utilizadores da sua infraestrutura e organizam camas de campanha no aeroporto de forma a providenciar algum conforto mínimo aos passageiros confrontados com a inexistência de alojamentos”, lembra.

“Infelizmente, nunca poderemos saber como é que um outro concessionário e gestor aeroportuário resolveria este problema num outro aeroporto nacional porque só temos a ANA/Vinci como referência”, lamenta Pedro Castro.


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