Um jogador português a atuar no Corinthians, equipa treinada por Vítor Pereira, foi detido na madrugada de domingo em São Paulo acusado de ofensas racistas.
Rafael Ramos foi preso pela Polícia Civil acusado de ofensas racistas dirigidas a Edenílson, jogador do Internacional. As ofensas terão tido lugar durante o jogo entre as duas equipas no sábado.
Rafael Ramos prestou depoimento na esquadra e depois foi libertado após pagamento de fiança de 10 mil reais (cerca de 1.900 euros).
Apesar de Rafael Ramos ter dito que houve um mal-entendido, o jogador Edenilson decidiu apresentar queixa na polícia.
Rafael Ramos já negou as acusações: “Há muito pouca coisa nas nossas vidas de que temos certezas absolutas. Esta é uma delas. Não fui, não sou e nunca serei racista. Graças a Deus me educaram com a plena consciência de que todos somos iguais nesta vida, com os mesmos direitos e os mesmos deveres. Por isso, com esta certeza, fui me explicar ao meu colega de profissão. Sempre me pautei por uma correta em toda a minha carreira, e não iria ser de outra forma agora. Que este caso tenha servido para que este tema seja novamente levantado. E que possamos todos reafirmar: racismo não!”, escreveu o jogador português no Instagram.
Por sua vez, Vítor Pereira defendeu Rafael Ramos: “Eu acredito nas pessoas. Acredito no Rafael e no que ele me disse. Pelo que conheço da educação dele, acho praticamente impossível ter um comportamento como o Edenílson diz que teve. Também falei com o Edenílson e acredito que ele percebeu da forma como entendeu, eu já tive essa experiência. O português e o brasileiro [português do Brasil] não são as mesmas línguas. Nós dizemos coisas que vocês não entendem e vice-versa. Tenho feito esse esforço de falar mais em brasileiro, que não é a mesma coisa”, afirmou o técnico.
O Corinthians disse que vai colaborar com as investigações, garantindo que “não compactua com o racismo”.
Por sua vez, o advogado do jogador português disse que “foram prestados todos os esclarecimentos. Aqui não há nenhuma conduta criminosa. Todos os procedimentos foram realizados, todos os esclarecimentos prestados. A conduta foi demonstrada com nenhum cometimento de crime. Tanto clube, como atleta, estão muito tranquilos em relação aos esclarecimentos prestados deste mal entendido. Foi tudo esclarecido à autoridade policial, encerrando-se o procedimento”, segundo Fabiano Serveira, citado pela “Globo Esporte”.
O jogador disse ao árbitro da partida que terá dito “f**a-se, cara**o”, e que o jogador do Internacional percebeu mal e que terá entendido que foi uma ofensa racista.
O episódio teve lugar aos 30 minutos do segundo tempo. Edenilson denunciou a situação ao árbitro e a partida esteve parada durante algum tempo. Depois, foi reiniciada e o lateral-direito foi substituído.
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