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CaixaBank não tenciona vender BFA em Angola até 2024

O presidente do CaixaBank disse que o plano estratégico de 2022 a 2024 não prevê a venda de 48,1% do BFA, detido pelo BPI. O banco espanhol disse ainda que vai duplicar o crédito concedido nas sucursais europeias até 15 mil milhões de euros.
Gustau Nacarino/Reuters
17 Maio 2022, 12h38

Gonzalo Gortázar, presidente executivo de CaixaBank, na apresentação em Madrid do seu Plano Estratégico 2022-2024, respondia à pergunta sobre a venda da participação de 48,1% que o BPI tem no Banco Fomento de Angola (BFA), quando disse que apesar de não ser uma participação estratégica, no plano estratégico não está prevista a venda dessa posição no banco angolano.

No entanto, o presidente executivo do BPI admitira antes, na apresentação de resultados, que uma entrada em bolsa do Banco Fomento de Angola (BFA), onde detém uma participação de 48,1%, poderia ser “uma das soluções” para a redução da posição.

Questionado, Gonzalo Gortazár disse que não havia nenhuma contradição entre a sua resposta e a anterior afirmação do CEO do BPI, que estava presente na conferência em Madrid, pois uma vez que não é uma participação estratégica poderá sempre ser vendida se surgir uma oportunidade. Nessa altura “analisaremos”, disse. No entanto o que é certo é que não está previsto vender o BFA até ao fim do horizonte do plano estratégico, que é 2024.

O BPI tem 48,1% do BFA desde o início de 2017, quando vendeu 2% do banco angolano à operadora Unitel por imposição do Banco Central Europeu (BCE), que considerou que a supervisão angolana não era equivalente à europeia. Desde então mantém-se a recomendação do supervisor europeu para o BPI diminuir ainda mais a exposição a Angola.

Sobre o contributo de 14 milhões de euros, no primeiro trimestre, da participação no BFA para o resultado consolidado do BPI – que ascendeu a 49 milhões de euros – João Pedro Oliveira e Costa explicou na conferência de imprensa dos resultados que se “deveu à valorização do kwanza”.

Em 2019, o BPI decidiu alterar o método de consolidação do Banco Fomento de Angola (BFA) por uma questão de “prudência”, deixaram de consolidar e apropriarem-se exclusivamente dos lucros distribuídos.

Segundo avançou o BPI quando apresentou as suas contas, o banco ainda não tinha recebido de Angola os dividendos relativamente a 2021, mas conta que tal aconteça “nos próximos meses”.

O CEO do BPI admitiu, em Madrid, que o banco já tinha recebido parte significativa dos 80 milhões de euros de dividendos do BFA.

Sobre a hipotética compra do Novobanco, Gonçalo Gortázar [presidente executivo do CaixaBank], foi muito claro dizendo que “estamos totalmente concentrados em crescer organicamente e desenvolver a atividade em Portugal, concentrada através da plataforma BPI, e é esse o nosso cenário central”.

O CEO do CaixaBank voltou a repetir que a marca BPI se vai manter.

O CaixaBank anunciou um foco nas sucursais europeias e nos escritórios de representação nos mercados internacionais.

No que toca à banca de empresas e banca internacional, o CaixaBank quer ser um banco de referência internacional.

O CaixaBank disse que tem uma carteira de crédito concedida através das sucursais europeias (sem o BPI que é uma filial) de 7,7 mil milhões de euros e no seu plano estratégico prevê duplicar para 15 mil milhões este indicador.

“Cubrimos países que representam 94% do comércio internacional com Espanha”, referiu ainda Gortazár que anunciou que a meta do CaixaBank é duplicar a carteira internacional em 2024.

Para além da filial em Portugal, o Banco BPI, o CaixaBank tem seis sucursais na Europa, em Paris, Franfurt, Londres, Varsóvia, Porto, e também em Lisboa (CaixaBank Payments).

Depois o CaixaBank tem um escritório de representação na Argélia, na capital chinesa (Pequim), em Bogotá na Colômbia, no Cairo (Egipto), no Dubai, Hong Kong, Istambul (Turquia), Joanesburgo na África do Sul, Lima no Peru, Shangai na China, Nova Déli na Índia, Nova Iorque, Santiago do Chile, São Paulo no Brasil, em Singapura, em Sidney (Austrália), em Toronto (Canadá) e um escritório no México.

Sobre a exposição do CaixaBank à Rússia e Ucrânia, Gonzalo Gortazár, frisou que o crédito é residual, de apenas 0,04%. No entanto para acautelar a exposição indirecta, através de exposição dos seus clientes ao impacto do conflito, o banco constituiu uma provisão de 214 milhões no primeiro trimestre.

O CaixaBank prevê crescer 7% por ano em receitas até 2024; melhorar a eficiência para um rácio de cost-to-income abaixo de 48% e o rácio de morosidade  (malparado) deve ficar abaixo dos 3% apesar da crise relacionada com o conflito no leste.

O banco espanhol tem a ambição de gerar capital entre 2022 e 2024 de cerca de nove mil milhões de euros, incluindo o share buyback de 1,8 mil milhões de euros anunciado pelo board.

O CaixaBank pretende distribuir mais de 50% dos resultados em dividendos, mas sem comprometer a meta de rentabilidade para 2024 de ter uma rentabilidade medida pelo RoTE de mais de 12%. Em 2021 o RoTE (Return on Tangible Equity) estava em 7,2%.


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