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Mais de 90% das empresas de ourivesaria com quebra de 50% na faturação

As empresas produtoras e de comércio de ourivesaria e relojaria estão pessimistas em relação à sua atividade nos próximos meses. Depois da única entidade certificadora ter estado fechada durante um mês e meio, as empresas do setor defendem um novo modelo de certificação.
7 Maio 2020, 07h35

A quase totalidade (93%) do setor de ourivesaria no país regista uma quebra de faturação acima dos 50% devido à paragem provocada pela pandemia da Covid-19 e o Estado de Emergência, segundo um inquérito levado a cabo pela Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) entre os seus associados.

O setor da ourivesaria portuguesa é composto por 4.300 empresas, representando um volume de negócio anual de mil milhões de euros, com 10% da produção anual a destinar-se à exportação.

As principais consequências sentidas no setor prendem-se com o cancelamento de encomendas (59%), stocks parados por falta de certificação (51,3%), quebra na procura (71,3%) e ainda problemas logísticos na cadeia de abastecimento (34,6%) e interrupções nas linhas de produção (34,6%).

O inquérito realizado entre 78 empresas do setor, com 48,7% a corresponderem a indústria, 32,1% a comércio a retalho, 11,5% comércio por grosso e 7,7% a outras atividades relacionadas.

A falta de certificação deve-se ao facto das Contrastarias do Instituto Nacional Casa da Moeda (INCM) terem encerrado há um mês e meio devido ao Estado de Emergência.

O INCM é a única entidade certificadora de joalharia no país, e apesar de já ter voltado a abrir as suas portas esta semana, o seu encerramento durante este período “bloqueou o setor”, segundo a AORP.

“O serviço esteve suspenso de 16 de março a 3 de maio, bloqueando quase por completo o setor, já afetado pela natural retração de consumo, encerramento do retalho e redução de recursos humanos, devido às recomendações de contenção de propagação do vírus”, segundo o comunicado da AORP.

A associação defende agora um novo modelo para a certificação, dando o exemplo do modelo espanhol. “A suspensão da atividade das contrastarias bloqueou qualquer tentativa de reação e recuperação do setor neste período, impedindo por exemplo, a comercialização via comércio eletrónico. Consideramos que é o momento de repensar o atual modelo de certificação, abrindo, por exemplo, a possibilidade de certificação por entidades privadas, devidamente credenciadas, terminando com o regime de monopólio. Em vários países europeus, como Espanha, o sistema de certificação com opção de serviço público e privado é bastante eficiente”, segundo o presidente da AORP, Nuno Marinho.

Segundo a análise realizada pela associação, 60,3% das empresas encontra-se em layoff total, 11,5% em layoff parcial e 14,1% encerraram atividade. Mais de 50% das empresas em layoff preveem retomar a sua atividade este mês (53%), com 22,7% em junho e 24,2% ainda sem previsão de retoma.

Em relação ao investimento, 70% das empresas suspendeu os seus investimentos, como o reforço da sua capacidade produtiva (57,4%), aumento de recursos humanos (39,7%), marketing e comunicação (39,7%), melhoria de instalações (32,4%) e internacionalização (32,4%).

“Apesar do sentimento pessimista entre as empresas, acreditamos que o setor venha a inverter este impacto negativo nos próximos meses e a traçar a sua recuperação, adaptando-se ao contexto pós COVID-19. A AORP está a desenvolver um conjunto de formações e plataformas digitais que visam apoiar as empresas neste novo e imprevisível desafio, onde a palavra-chave é, sem dúvida, adaptação”, de acordo com Nuno Marinho.

As empresas inquiridas também relevaram o seu pessimismo para a sua atividade nos próximos meses: 39,7% das empresas antecipa uma descida entre 75 e 100% da sua receita, 29,5% um decréscimo entre 50% a 75%, e 9% uma redução de entre 25 e 50%.

Quase um terço das empresas diz que existe um “risco elevado” de fechar definitivamente a sua atividade, com 29% a dizerem que existe um “risco moderado” e 33% a apontarem que existe um risco baixo”.

Já em relação à recuperação da sua atividade, 35% esperam que seja muito lenta (entre 12 a 24 meses), com 29% a prever que demore entre 6 a 12 meses, e 14% a esperarem uma retoma somente depois de dois anos.


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