As empresas devem salvaguardar que estão preparadas e que os trabalhadores e o cliente estão devidamente informados na hora de assinar um smart contract (“contrato inteligente”), alertou esta quarta-feira Cláudia Borges, da Moneris.
“Existe um risco de não aceitação e de os próprios colaboradores em não conseguirem perceber a mais-valia. Às vezes, o ser humano acaba por condicionar a aplicabilidade destes processos, por melhor que seja a ideia”, afirmou a gestora de projeto de Moneris, na conferência online “Smart Contract Demo”, organizada pelo Jornal Económico e pela Antas da Cunha Ecija.
Já Elisete Barbosa, legal officer do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, advertiu para os riscos externos, concordando que este avanço tecnológico requer mais cuidados cibernéticos e consciência em termos de cibersegurança. Até porque, tal como confirma, há hipóteses de os hackers entrar num sistema e executar um falso smart contract.
“Como é que reduzo o risco? Programando na linguagem mais correta”, referiu o professor Paulo Cardoso do Amaral. “Quando tenho uma questão que não tenho absoluta certeza coloco um nível em direção que me diz «tenho formas de reverter», por isso é que as blockchain são fantásticas para o Regulamento Geral da Proteção de Dados”, diz.
Como tal, tanto Cláudia Borges como Elisete Barbosa concordam que os benefícios dos smart contracts são superiores aos riscos, tanto por deixar de ser necessário ter uma entidade que garanta a fiabilidade do contrato (a tecnologia blockchain dá essa garantia de funcionamento) como pela sua extensa aplicabilidade, sobretudo numa empresa de prestação de serviços.
“A aplicação de smart contracts na nossa sociedade e na nossa realidade, em Portugal, está ainda no seu início. A possibilidade de visualizarmos neste momento um smart contract deixou de ser uma teoria e passou à prática. É um passo muito importante para o desenrolar da aplicação da tecnologia blockchain”, começa por explicar a gestora da Moneris.
Ademais, permite que as pessoas assinem o contrato em qualquer momento, o que gera redução de custos com correios e diminuição da pegada ecológica pois não se recorre ao papel. “Aquela coisa de «a pessoa X que tinha de assinar está de férias» já não se põe. Pode estar nas redes sociais e assinar um contrato super importante”. “Ninguém tem tempo para esperar, andamos todos à velocidade de resposta, portanto esperamos que os nossos contratos estejam à mesma velocidade”, exemplifica a jurista do laboratório internacional, onde essa flexibilidade se sente.
“A redução de custos e redução de tempo é uma mais valia absolutamente fantástica. Quando trabalhamos num mundo que já está efetivamente globalizado – no nosso caso, no laboratório, temos parceiros de todo o mundo e contratos com entidades e consórcios nos Estados Unidos, América do Sul, Austrália, China, África – a diferença é incomparável com o que tínhamos”, detalha Elisete Barbosa.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com