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14 países sul-americanos não aceitam resultados das eleições venezuelanas

Os governos do chamado Grupo de Lima não reconhecerão os resultados das eleições venezuelanas “por não atenderem aos padrões democráticos”.
HO/Reuters
22 Maio 2018, 07h10

Pelo menos 14 países sul-americanos declararam esta segunda-feira que não reconhecerão os resultados das eleições presidenciais na Venezuela realizadas no domingo “por não cumprirem os padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente”. Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia, que formam o chamado Grupo de Lima, anunciaram que vão chamar os seus embaixadores em Caracas, Venezuela, para consultas.

As consultas servem também como um sinal de protesto pelas controversas eleições em que Nicolás Maduro foi reeleito como chefe de governo com uma abstenção recorde – 54%, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral controlado pelo regime, ou 33% de acordo com fontes da oposição.

Os governos dos 14 países anunciaram que vão apresentar na Organização dos Estados Americanos (OEA) uma nova resolução que leve à eventual adoção de novas medidas a nível regional para não conceder empréstimos ao governo da Venezuela. O país enfrenta a ameaça de crescente isolamento internacional e um ressurgimento da crise social e económica, após as eleições criticadas pela comunidade internacional e boicotadas pela oposição.

Por outro lado, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, disse esta segunda-feira que Espanha estudará “medidas oportunas” no âmbito da União Europeia depois das eleições, que não respeitaram “os padrões democráticos mínimos”.

Vários dissidentes do regime venezuelano no exílio escreveram uma carta em que apelam à comunidade internacional para não reconhecer os resultados das eleições e para retirarem os seus embaixadores da Venezuela. E vão mais longe: pedem a denúncia do regime ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por práticas de “crimes contra a humanidade“ – sendo Nicolás Maduro o primeiro alvo.

Do outro lado, a China, que tem muito vultuosos investimentos na Venezuela, pediu para que a decisão do povo venezuelano seja respeitada e que Maduro seja considerado legítimo presidente do país. “Todas as partes devem respeitar a decisão do povo venezuelano”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lu Kang, citado por várias agências noticiosas.

Já o presidente da Bolívia, Evo Morales, felicitou Nicolás Maduro pela sua vitória, afirmando que “o povo venezuelano, soberano, triunfou novamente ante o golpe e o intervencionismo do império americano”.

O Governo de El Salvador, nas mãos da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN) desde 2009, também reconheceu a vitória de Maduro nas eleições presidenciais.


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