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Conservadores dão dez dias a Liz Truss para assegurar o lugar

A ‘deadline’ é 31 de outubro, dia em que o governo deve apresentar uma espécie de mini-orçamento com medidas fiscais de curto prazo. Entretanto, já há uma lista de possíveis sucessores.
Toby Melville/Reuters
19 Outubro 2022, 17h01

A verdadeira máquina de triturar primeiros-ministros em que se transformou o bloco conservador com assento na Câmara dos Comuns britânica deu dez dias para a atual detentora do cargo, Liz Truss convença os seus pares de que tem condições para se manter no lugar.

O parlamentar conservador Steve Double disse ao jornal “World at One” que “até o final da próxima semana, temos que estar convencidos”.

Mas o prazo parece ser mera formalidade: “Os conservadores provavelmente já têm a sua preferência” por um sucessor, disse ainda, para ficar claro que o esforço de Truss pode mesmo ser completamente inútil.

Vale a pena recordar que James Cameron se demitiu em julho de 2016 depois de ter perdido o referendo do Brexit (apoiava a permanência), tendo sido o último primeiro-ministro conservador britânico a não ser ‘empurrado’ pelo partido para uma saída politicamente ‘assassina’. Depois dele, Theresa May, Boris Johnson e muito provavelmente Liz Truss foram ‘triturados’ pela máquina partidária.

A lista dos sucessores

Aliás, as apostas quanto ao novo sucessor já estão em cima da mesa. Uma sondagem do site YouGov afirmava esta terça-feira que Johnson seria o candidato preferido para substituir Truss, mas o despropósito político é de tal ordem, que aparentemente ninguém parece ter ficado convencido de semelhante hipótese.

Na lista dos sucessores da primeira-ministra constam, para já, três nomes: Rishi Sunak, derrotado por Truss nas últimas primárias e que era a escolha dos seus pares na Câmara dos Comum; Jeremy Hunt, que Truss foi buscar para preencher a pasta das Finanças mas é um dos elementos mais seguros dos conservadores, já tendo passado por várias pastas bem diferentes umas das outras (Cultura, Saúde e Negócios Estrangeiros); e Penny Mordaunt, ex-secretária de Estado do Comércio, que a certa altura foi dada como favorita nas últimas primárias, mas acabaria derrotada pela dupla que disputaria a ‘grande final’.

O prazo dado a Truss não é um acaso: a segunda-feira 31 de outubro é a data marcada para a apresentação do plano fiscal de médio prazo (a que os britânicos já chamam mini-Orçamento) e a publicação da previsão económica do governo, que servirá de enquadramento ao Orçamento. O governo espera que isso tranquilize os mercados e os próprios parlamentares conservadores sabem que se essa movimentação for quebrada a meio pela demissão de Truss, o sector financeiro irá necessariamente reagir pela negativa. Mas trabalho para o banco central em perspetiva.

A última esperança é que aquilo que for apresentado em 31 de outubro contente os mercados. Em tempo real. Se isso acontecer, Liz Truss ganhará uma almofada de ar. Resta saber se ainda lhe servirá para alguma coisa.

As pontas da crise

Entretanto, a intensa crise política que se vive no Reino Unido está a ‘deslaçar’ o conjunto do país. Esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, Simon Coveney, disse temer que o Reino Unido e a União Europeia não chegue a um acordo sobre as necessárias mudanças no chamado Protocolo da Irlanda do Norte até o final da próxima semana, como estava previsto.

Falando após conversas com Chris Heaton-Harris, secretário da Irlanda do Norte, em Belfast, Coveney disse considerar que “as possibilidades de um avanço entre Londres e Bruxelas até 28 de outubro são muito poucas.

Não porque ambos os lados não queiram avançar, mas porque há muitas outras coisas a acontecer na política britânica”.

No meio da tempestade, a ordem parece ser de recolhimento: os membros do governo que tinham saídas públicas marcadas pala esta quarta-feira alteraram as suas agendas sem que as explicações tivessem sido consideradas ‘normais.

A própria Truss cancelou uma visita a uma fábrica e o seu o secretário de Defesa, Ben Wallace, cancelou uma reunião com o comité de defesa dos Comuns porque teve de ir a Washington para negociações urgentes.

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