[weglot_switcher]

O Qatar considera “injusto” que o Ocidente aconselhe os países africanos a não investirem em petróleo e gás

Ministro qatari da Energia, Saad al Kaabi, afirmou este sábado que é “muito, muito injusto” que alguns países do Ocidente digam aos países africanos que não invistam em petróleo e gás.
Vasily Fedosenko/Reuters
14 Janeiro 2023, 10h00

O ministro qatari da Energia, Saad al Kaabi, afirmou este sábado que é “muito, muito injusto” que alguns países do Ocidente digam aos países africanos que não invistam em petróleo e gás, matérias-primas que “são necessárias para o mundo”.

“Sobre os investimentos, é muito, muito injusto que alguns no Ocidente digam aos países africanos que não deveriam investir em petróleo e gás e que deveriam manter-se verdes ou como lhe queiram chamar”, disse o responsável durante a sua participação no Fórum Global da Energia, organizado pelo Atlantic Council, no Abu Dhabi.

Tanto o petróleo (crudo) como o gás “são necessários no mundo” e que – ainda que haja muito trabalho pela frente – “não se pode ignorar a realidade”.

O ministro qatari foi muito duro com os países que continuam a tentar ser reconhecidos como “verdes”.  “A comunidade que impulsionava o ecologismo vivia um sonho que entretanto percebeu que não pode alcançar”, disse o ministro, sem especificar a que Estados se referia.

Assim, indicou que as principais fontes de energia no longo prazo são a energia nuclear, para aqueles que a possam pagar e construir esse tipo de tecnologia, e também o gás.

“Não estou de acordo que o gás é um combustível de transição. É um combustível de destino”, disse Saad al Kaabi, assinalando no entanto que é preciso “muito mais investimento” nesta área.

O Qatar, juntamente com outros países do golfo Pérsico, converteu-se numa fonte de gás da União Europeia (UE), como alternativa ao gás russo, devido à invasão da Ucrânia (em fevereiro de 2022).

Também criticou os países que estão a usar o carvão em “níveis recorde” em substituição ou complemento ao gás.

“Temos de tomar medidas muito sérias contra o carvão, que é o grande emissor. Até agora temos visto muitos ataques contra o petróleo e o gás, desumanizando o petróleo e o gás, mas não vejo o mesmo tipo de ataques contra o grande emissor [de “CO2], sublinhou.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.