BCE não surpreende. Mantém taxas de juro inalteradas e não ‘carrega’ bazuca anti-Covid-19

O Banco Central Europeu manteve esta quinta-feira as taxas de juro inalteradas e não reforçou o ‘Pandemic Emergency Purchase Programme’ (PEPP), que se mantém com um volume total de 1,35 biliões de euros.

O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter as taxas de juro inalteradas e não avançou com mais medidas de política monetária para a estimular a economia da zona euro.

Tal como na última reunião de política monetária, realizada no início de junho, a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0,00%, 0,25% e −0,50%, respetivamente.

Em comunicado, o BCE antecipa que as taxas de juro se mantem nos níveis atuais, ou menores, até que o outlook sobre a inflação se aproxime da meta de próxima de 2%.

O banco central, liderado por Christine Lagarde, decidiu esta quinta-feira não reforçar o Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP), o programa de compra de ativos lançado em março para apoiar a economia e os mercados a enfrentarem os riscos que a pandemia causou na zona euros, que se mantém com um volume total de 1,35 mil milhões de euros. Há seis semanas, o BCE reforçou ainda em 600 mil milhões de euros o PEPP, acima das previsões dos analistas, que estimavam um aumento de 500 mil milhões de euros.

Além disso, o banco central decidiu ainda manter a flexibilidade deste programa. Em comunicado, o BCE explica que “o Conselho de Governadores vai continuar a fazer compras líquidas de ativos até pelo menos o final de junho de 2021 e até julgar que a fase da crise do coronavírus terminou”.

O ritmo das compras mensais de ativos ao abrigo do PEPP vão manter-se nos 2o mil milhões de euros, em paralelo com “com mais compras no âmbito de um pacote adicional e temporário de 120 mil milhões de euros, até ao final do ano”.

“O Conselho dos Governadores antecipa que as compras líquidas ao abrigo do APP se mantenham por quanto tempo for necessário para reforçar o seu impacto acomodatício nas taxas de juro, e deverá terminar pouco antes de o BCE aumentar as taxas de juro diretoras”, lê-se no documento.

Frankfurt mantém-se vigilante e “preparado para ajustar todos os seus instrumentos consoante o que for apropriado para assegurar que a inflação se desloca em direção à meta de uma forma sustentada”, fixada abaixo, mas próxima dos 2%.

Os analistas de mercados já antecipavam que o BCE não anunciasse novas medidas após a reunião desta quinta-feira, por falta de informação sobre o impacto económico da Covid-19 no segundo trimestre de 2020, que deverá tornar-se mais claro no final deste mês. E apontam para o futuro — em setembro e outubro — como o momento em que o banco central deverá anunciar novas medidas de política monetária.

(atualizada com mais informação às 13h02)

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