Efeito Trump pode determinar quantas vezes a Fed sobe os juros este ano

As minutas da última reunião de política monetária norte-americana mostram que os decisores continuam a considerar apropriada a projeção de aumentos da ‘federal funds rate’ e os principais fatores que os poderá fazer mudar de ideias é a guerra comercial e a reforma dos impostos.

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Os membros da Reserva Federal dos Estados Unidos consideram apropriado manter a previsão de que irão subir os juros de referência três vezes este ano, segundo mostram as minutas da reunião de política monetária. No final de março, esse era um dos pontos mais importantes para que os mercados estavam a olhar, com a concretização do primeiro aumento a ser amplamente esperada.

“Na avaliação do caminho para a federal funds rate que, na sua visão, é provável que seja apropriado, os participantes do FOMC [Comité Federal de Mercado Aberto] têm em consideração uma série de fatores”, refere o documento.

A Fed manteve o plano que indica intenções de implementar três aumentos da taxa de juro diretora este ano. O primeiro – em 0,25 pontos base para um intervalo entre 1,5% e 1,75% – foi anunciado na reunião de dia 21 de março, a primeira liderada pelo novo chairman, Jerome Powell.

No entanto, há dois fatores que poderão fazer os decisores políticos norte-americanos mudarem de ideias, ambos relacionados com as políticas de Donald Trump: mudanças orçamental e a guerra comercial.

“Na discussão sobre as incertezas e riscos que circundam as projeções, a maior dos participantes notaram que a magnitude e o timing dos efeitos económicos das recentes mudanças na política orçamental eram incertas ou que os desenvolvimentos na política orçamental representam riscos positivos para a atividade económica real”, explicam as minutas.

“A maioria dos participantes também citou a política comercial como uma fonte de incerteza e riscos negativos”, acrescenta. Entre outras questões que poderão levar a mudanças está a aceleração da inflação, impulsionada pelo mercado de trabalho, desequilíbrios financeiros e riscos de recessão.

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