Fitch: câmaras de compensação da Europa mostram resiliência e liquidez

Autoridade Europeia de Mercados de Valores Mobiliários testou em outubro os sistemas de liquidação e de pagamentos da Europa a choques de mercado extremos e que concluiu que têm “sólidos perfis de crédito”.

Reinhard Krause/Reuters

A Fitch considera que os resultados favoráveis ​​nos recentes testes de stress regulatório nos Estados Unidos da América e na Europa demonstram que as maiores câmaras de compensação do mundo têm “sólidos perfis de crédito” e deu-lhes um outlook “estável” para 2018, depois de este sistema de liquidação e de pagamentos ter passado na ‘prova de avaliação’ da Autoridade Europeia de Mercados de Valores Mobiliários (ESMA, sigla em inglês), realizada em outubro.

O órgão europeu de controlo de títulos publicou na última sexta-feira, 2 de fevereiro, os resultados do seu segundo exercício relativo a contrapartes centrais [coletivos que intervêm entre as contrapartes em contratos negociados num ou mais mercados financeiros, agindo como comprador perante todos os vendedores e como vendedor perante todos os compradores.], concluindo que o sistema global de câmaras de compensação europeias permaneceu resiliente a choques de mercado extremos e simulados.

Assim, a agência de classificação de risco de crédito norte-americana refere que os testes da Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities [EUA] e da ESMA demonstraram que todas as câmaras de compensação examinadas têm “capacidade de absorver perdas potenciais resultantes do incumprimento dos seus dois maiores membros de compensação em condições extremas de mercado”.

“Os resultados dos testes de stress são consistentes com a visão da Fitch de que os perfis de risco de crédito das maiores câmaras de compensação são muito fortes, refletindo ampla liquidez, quadros robustos de gestão de riscos, procedimentos de alocação de perdas prudentes e um ambiente regulatório geralmente favorável. No entanto, a concorrência, o risco operacional/cibernético e o exame regulatório potencial garantem o acompanhamento à medida que a indústria se expande”, refere a nota da Fitch, divulgada esta segunda-feira, 5 de fevereiro.

A Fitch lembra ainda, em comunicado, que as câmaras de compensação representam cada vez mais as maiores posições de contraparte que enfrentam as instituições financeiras, na fruto do impulso regulatório que houve desde a crise financeira global, para melhorar a transparência e gerir o risco sistémico.

Quanto aoss testes de stress à banca, a Autoridade Bancária Europeia (EBA) publicou no passado dia 7 de junho a metodologia e o modelo preliminar dos testes de stress de 2018 a nível da União Europeia para discussão com a banca, bem como a lista de bancos que serão alvo dos testes de stress este ano – da qual os bancos portugueses e os gregos estão excluídos. O exercício cobre 70% do setor bancário do bloco e avalia a capacidade dos bancos da comunidade única de manter rácios relevantes de capital regulatório num contexto de choque económico adverso.