“Manda-a de volta! Manda-a de volta!”. Multidão em comício de Trump ataca congressista nascida na Somália

Uma das quatro congressistas norte-americanas alvo de comentários racistas por parte de Trump voltou a ser atacada a durante um comício do presidente republicano. Trump entoou o cântico em referência à congressista democrata Ilhan Omar.

Ilhan Omar é uma congressista norte-americana do partido democrata. Nascida na Somália, chegou aos Estados Unidos como refugiada. Negra, muçulmana, é conhecida por usar um lenço na cabeça a tapar-lhe o cabelo.

A congressista é também uma feroz crítica de Donald Trump e da sua administração, em temas como a imigração. Juntamente com outras três congressistas democratas, Omar tem sido alvo de duras críticas do presidente norte-americano.

“Elas estão sempre a dizer-nos como agir, como fazer isto, como fazer aquilo. Sabem que mais? Se não gostam, digam-lhes para se irem embora”, afirmou Donald Trump aos apoiantes durante um comício, esta quarta-feira, na Carolina do Norte, citado pela CNN.

Face a estas declarações, a multidão de apoiantes do presidente republicano entoou o cântico “manda-a de volta! Manda-a de volta!”, em referência à congressista democrata Ilhan Omar, que chegou ao país há quase 30 anos como uma criança refugiada.

Trump usou este momento de campanha para as presidenciais de 2020 para atacar Omar e três outras congressistas democratas – Alexandria Ocasio-Cortez de Nova York, Ayanna Pressley de Massachusetts e Rashida Tlaib de Michigan – chamando-as de “extremistas cheios de ódio”.

O grupo, que se intitula de “Esquadrão”, foi o foco de ataques racistas do presidente esta semana, impulsionado por tweets publicados no domingo em que ele atacou as congressistas, todas mulheres de diferentes etnias, que deveriam “voltar” para os seus países de origem.

Das quatro mulheres apenas Omar não nasceu nos Estados Unidos, tendo chegado ao país com oito anos como refugiada de guerra da Somália. Ocasio-Cortez, Pressley e Tlaib nasceram todas nos Estados Unidos.

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As origens dos ataques de Trump remetem para o testemunho das quatro congressistas perante a Câmara dos Representantes em que reportaram condições desumanas durante as visitas às instalações de detenção dos migrantes no estado do Texas.

“É muito interessante ver congressistas democratas ‘progressistas’, que originalmente vieram de países cujos governos são uma completa e total catástrofe, os piores, os mais corruptos e ineptos do mundo… dizerem, de viva e maliciosa voz, ao povo dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa nação na Terra, como o nosso Governo deve ser gerido. Porque é que não voltam para os lugares totalmente destruídos e infestados de crime de onde vieram? Depois voltam e mostram-nos como se faz”, escreveu na rede social Twitter.

Os tweets do Presidente levaram a Câmara a aprovar uma resolução de condenação. “Todos os membros desta instituição, democratas e republicanos, devem unir-se a nós na condenação dos tweets racistas do Presidente. Fazer algo menos do que isso seria uma rejeição chocante dos nossos valores e uma abdicação vergonhosa do nosso juramento de posse para proteger o povo americano”, referiu, na terça-feira, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi.

A própria congressista Ilhan Omar reagiu no Twitter, citando um poema de Maya Angelou: “Podes disparar sobre mim com as tuas palavras. Podes cortar-me com os teus olhos. Podes matar-me com o teu ódio. Mas, ainda assim, como o ar, eu erguer-me-ei.”

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