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Revolucionar Blockchain e Inteligência Artificial

A fintech chinesa Ant, com empresa-mãe Alibaba Group, vai continuar a agregar valor aos seus clientes e a colocar a concorrência em níveis elevados, trazendo inovação e avanço tecnológico. E tem potencial para crescer.
12 Novembro 2020, 09h25

O Ant Group Co. é uma fintech, originalmente da Alipay, com empresa-mãe Alibaba Group. Tendo sido criada e ramificada em 2004 pelo grupo com sede em Hangzhou, reforçou a ambição, inovação e credibilidade do seu cofundador Jack Ma com a aspiração de ver a Alipay tornar-se numa plataforma credível para liquidar transações entre comprador e vendedor no site da Alibaba, de forma a desenvolver a confiança entre comerciantes e compradores utilizando como base dois conceitos modernos, Blockchain e Inteligência Artificial. De forma generalizada, esta primeira tecnologia permite descentralizar o armazenamento de dados para protegê-los de manipulação, sendo que a segunda aplica uma complexa rede de solução de problemas imitando de forma significativa a inteligência humana.

Do ponto de vista dos mercados, o grupo procura manter uma avaliação de mercado superior aos atuais 200 mil milhões de dólares e a meta é aumentar o capital em mais de 20 mil milhões de dólares através de um duplo IPO em Xangai e Hong Kong. Devido aos fundamentos económico-financeiros e perspetivas de crescimento do grupo, prevê-se, pois, que possam ainda ultrapassar os 25 mil milhões de dólares da Saudi Aramco (Arábia Saudita).

Apesar da pandemia do novo coronavírus e das nocivas consequências que dela resultaram, a Ant conseguiu mesmo aumentar o número dos seus utilizadores superando a marca dos 659 milhões em dezembro de 2019 para um valor a rondar os 711 milhões no primeiro semestre de 2020, possuindo, assim, os atributos para crescer ou ultrapassar os seus rivais.

De acordo com o prospectus da Ant, as receitas mostraram um crescimento gradual desde 2017, onde registou 65 mil milhões de RMB em 2017 e atingiu 120 mil milhões de RMB em 2019, obtendo um lucro operacional de cerca de 24 mil milhões de RMB. No ano passado, a unidade de negócios de pagamento digital e atendimento ao comerciante representou a maior fatia das receitas, com 43% do total. A segunda maior fatia corresponde à unidade de tecnologia de crédito, com 34,7% do total das receitas.

Na verdade, o crescimento vertiginoso das receitas e o enorme valor de IPO da Ant atrairão várias instituições financeiras, especialmente na Europa. Por consequência, mais facilidades de investimento serão concedidas a muitos e diversos investidores.

No que diz respeito aos fatores de risco, começamos com um ponto óbvio: a pandemia de Covid-19 e a já designada segunda vaga. Enquanto o vírus ainda se espalha pelo globo, o turismo chinês caiu e deve continuar em queda, fruto do encerramento das fronteiras bem como do estabelecimento das mais diversas restrições de viagens. Por outro lado, as eleições nos EUA e respetiva interminável guerra comercial entre China e EUA.  Outro refere-se ao risco geopolítica com a tensão entre a China e a Índia, que poderá ditar um significativo impacto negativo no core operacional do grupo.

Por último, a parca regulamentação nas fintech, bem como a “apertada” regulamentação interna na China, podem dificultar o crescimento do grupo. Adicionalmente, a já recorrente volatilidade do mercado pós-IPO. A fintech chinesa continuará a agregar valor aos seus clientes e a colocar a concorrência em níveis elevados, trazendo inovação e avanço tecnológico, tal como também irá afetar taxas de transação/investimento.

No final, quem não querará testemunhar tal processo?

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